Cadeira 10: Edmilton Torres

 

 

 

 

Edmilton Bezerra Torres nasceu na cidade de Pesqueira/PE, em 07 de julho de 1955. É o 4º dos 11 filhos da Dona de Casa Rute Bezerra Torres e do Industriário Martinho Firmino Torres, de quem herdou o dom da poesia. É casado desde 1981 com Águeda Maria Valença Torres, com quem tem três filhos: Sidney, Renata e Jéssica.

 

Em 1968, os 13 anos de idade, após concluir o curso primário, foi matriculado num internato, a Escola Agrotécnica da UFPE, em São Lourenço da Mata/PE, onde concluiu o curso de Mestre Agrícola. Com o fechamento da escola, cuja área seria alagada pela construção da barragem do Rio Tapacurá, em 1971 foi transferido para o Colégio Agrícola de Belo Jardim/PE, onde concluiu o curso de Técnico em Agropecuária, em 1974.

Trabalhou como técnico agrícola nas Indústrias de Conservas Alimentícias Cicanorte S/A, até 1979, quando prestou concurso e foi contratado pela Caixa Econômica Federal, onde trabalhou por cerca de 29 anos, nas cidades de Pesqueira, Belo Jardim, Bezerros, Lajedo e, por fim, em Recife, quando se aposentou em 2007, retornando à sua cidade natal, Pesqueira e pode, enfim, se dedicar à poesia, uma de suas grandes paixões.

É graduado em Administração de Empresas pela UFPE e aposentado como gerente da Caixa Econômica Federal.

Foi sócio fundador e presidente da SOPOESPES – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira, da qual se desfiliou em 2020 para fundação da ASPEL – Associação Pesqueirense de Literatura.

– Foi vencedor do 1º Concurso de Literatura de Cordel da Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal de Pernambuco, em maio de 2014, com o poema “A pescaria aloprada”.

– Fez parte da I e II antologias da Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira, lançadas em 2015 e 2019 pela Editora Babecco.

– Foi coautor da 60ª Edição do Projeto Palavra é Arte, com o conto “O Espelho Maldito”, publicada pela Cultura Editorial em 2015.

– Fez parte da Antologia “Vinho e poesia”, publicada pela Editora Pragmatha de Porto Alegre, em 2016, onde também participa do Caderno Literário mensal da editora.

– Participou como coautor das III, IV, V e VI edições da Coletânea de Cordéis do Festival Vamos Fazer Poesia, lançadas pela Editora do Jornal Desafio de Serra Talhada/PE, de 2016 a 2019, em cujo festival alcançou o 5º lugar em 2017 e o 20º lugar em 2019.

– Participou da Antologia Contos e Crônicas da Editora Palavra é arte em 2017, com três contos.

– Participou da Antologia Sarau Brasil – Novos poetas, da Editora Vivara, em 2017, tendo obtido o 13º lugar com o soneto “O silêncio das Palavras.

– Participou da Antologia Ecos do Nordeste, numa parceria das Editoras In-Finita de Lisboa e Editora Moxotó, de Sertânia/PE, em novembro de 2018.

– Lançou dois livros solo de poesias, “Espelhos e Janelas”, em 2016 e “Pelas estradas da rima – Coletânea de cordéis”, em 2017, ambos pela Editora Libertas.

– Participou da Antologia Poetas pela paz, da Editora Pragmatha de Porto Alegre, em 2020.

 

Escritor de estilo versátil, também publica seus poemas, cordéis e crônicas no site Recanto das Letras e é colaborador eventual do blog “O Abelhudo” de Sanharó/PE e do Jornal Pesqueira Notícias.

Patrono

Leandro Gomes de Barros

 

Leandro Gomes de Barros, paraibano, nascido em 19/11/1865, na Fazenda da Melancia, no Município de Pombal, é considerado o rei dos poetas populares do seu tempo. Foi educado pela família do Padre Vicente Xavier de Farias (1823-1907), proprietários da fazenda e dos quais era sobrinho por parte de mãe. Em companhia da família “adotiva” mudou-se para a Vila do Teixeira, que se tornaria o berço da Literatura Popular nordestina, onde permaneceu até os 15 anos de idade, tendo conhecido vários cantadores e poetas ilustres.

Do Teixeira vai para Pernambuco e fixa residência primeiramente em Jaboatão dos Guararapes, onde morou até 1906. Nesse ano fundou uma gráfica para imprimir os próprios folhetos, que se espalharam por todo o Nordeste. Depois em Vitória de Santo Antão, e a partir de 1907 no Recife, onde viveu de aluguel em vários endereços, imprimindo a maior parte de sua obra poética no próprio prelo ou em diversas tipografias.

 

Vale a pena transcrever o aviso no final de um poema, “A Cura da Quebradeira”, que demonstra suas constantes mudanças e o grande tino comercial:
“Leandro Gomes de Barros avisa que está morando em Areias, Recife, e que remeterá pelo correio todos os folhetos de suas produções que lhe sejam pedidos”.

Sua atividade poética o obriga a viajar constantemente por aqueles sertões para divulgar e vender seus poemas. Foi um dos poucos poetas populares a viver unicamente de suas histórias rimadas, que foram centenas. Leandro versejou sobre todos os temas, sempre com muito senso de humor. Começou a escrever seus folhetos em 1889, conforme ele mesmo conta nesta sextilha de “A Mulher Roubada”, publicada no Recife em 1907:

Leitores peço-lhes desculpa
se a obra não for de agrado
Sou um poeta sem força
o tempo me tem estragado,
escrevo há 18 anos
Tenho razão de estar cansado.

“Caboclo entroncado, de bigode espesso, alegre, bom contador de anedota” –  este é o retrato que dele faz Câmara Cascudo em “Vaqueiros e Cantadores”.

 

O próprio Leandro assim se descreve no poema “Os traços de Leandro Gomes de Barros, um autorretrato publicado na quarta-capa do folheto “Peleja de Manoel Riachão com o Diabo”:

“A cabeça, um tanto grande e bem redonda

O nariz, afilado, um pouco grosso

As orelhas não são muito pequenas

Beiço fino e não tem quase pescoço

 

Tem a fala um pouco fina, voz sem som

Cor branca e altura regular

Pouca barba, bigode fino e louro

Cambaleia um tanto quanto no andar

 

Olhos grandes, bem azuis, têm cor do mar

Corpo mole, mas não é tipo esquisito

Tem pessoas que o acham muito feio

Mas a mamãe, quando o viu, achou bonito

 

Casou-se com Venustiniana Eulália de Barros antes de 1889 e teve quatro filhos: Rachel Aleixo de Barros Lima, Erodildes (Didi), Julieta e Esaú Eloy.

De Leandro de Barros só possuímos fotos de meio-busto e uma de corpo inteiro, que colocava em seus folhetos para provar a autoria de seus versos. De sua família, o que ficou para a história foram os folhetos assinados com caligrafia caprichada, sobretudo os de Rachel.

Na crônica intitulada “Leandro, O Poeta”, publicada no Jornal do Brasil em 9 de setembro de 1976, Carlos Drummond de Andrade o chamou de “Príncipe dos Poetas” e assinala: “Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro”. E diz mais: “Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião”.

Mas não foi só Drummond, nosso poeta maior, que reconheceria em Leandro a majestade dos versos. Em vida era tratado por seus colegas como o” poeta do povo”, “o primeiro sem segundo” (Athayde) e “verdadeiro Catulo da Paixão cearense, daqueles ásperos rincões” (Gustavo Barroso).

 

É considerado o primeiro escritor brasileiro de literatura de cordel, tendo escrito, aproximadamente 240 obras e ainda é considerado por muitos críticos, como o maior poeta popular de todos os tempos.

 

Autor de vários clássicos, é campeão absoluto de vendas, milhões de exemplares.

 

Influenciou o Movimento Armorial, na medida em que Ariano Suassuna usou parte de sua obra para se inspirar no “Auto da Compadecida”.

 

Em 1909 publicou seus poemas na seção “Lyra Popular” no jornal “O Rebate”, de Juazeiro do Norte/CE.

 

Segundo o jornalista e cronista Permínio Ásfora (1913-2001), Leandro teria sido preso em 1918 porque o Chefe de Polícia considerou afronta às autoridades, alguns dos versos da sua obra “O punhal e a palmatória”. Estes foram os versos considerados ofensivos pela autoridade:

“Nós temos cinco governos

O primeiro, o federal

O segundo, o do estado

Terceiro, o municipal

O quarto é a palmatória

E o quinto, o velho punhal

 

Algumas das grandes obras de Leandro Gomes de Barros:

– A batalha de Oliveiros com Ferrabraz

– O cachorro dos mortos

– O cavalo que defecava dinheiro

– História de Juvenal e o dragão

– História do boi misterioso

– Branca de Neve e o saldado guerreiro

– A confissão de Antônio Silvino

– A vida de Pedro Cem

– Os sofrimentos de Alzira

– Como Antônio Silvino fez o diabo chorar

– História de João da Cruz

– Vida e testamento de Cancão de Fogo

– A mulher roubada

– Suspiro de um sertanejo

– O soldado jogador

– Donzela Teodora

 

O Dia do Cordelista é comemorado em 19 de novembro em homenagem ao nascimento de Leandro Gomes de Barros.

 

Leandro Gomes de Barros é o patrono da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Após o seu falecimento, em 4 de março de 1918, no Recife, o poeta e editor João Martins de Ataíde, em seu folheto “A Pranteada Morte de Leandro Gomes de Barros”, escreveu:

Poeta como Leandro
Inda o Brasil não criou
Por ser um dos escritores
Que mais livros registrou
Canções não se sabe quantas
Foram seiscentas e tantas
As obras que publicou.

 

 

 

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