Cadeira 21: Joab Nascimento

Joab Nascimento

 

João Batista do Nascimento, cearense, natural de Granja, nascido em 11/06/1960, filho de João Tibúrcio do Nascimento e Aldenora Félix do Nascimento, Militar, Sargento da Marinha do Brasil onde serviu a Pátria por 30 anos, Mecânico de Aviação, poeta, cordelista, com um livro publicado e duas participações em  antologias do Beco dos Poetas de São Paulo, membro titular da Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras, cadeira de nº 31, patrono Júlio Cícero Monteiro, membro vitalício da Academia de Letras do Brasil, seccional ALB/MS, cadeira Nº 53, patrono Patativa do Assaré, Membro da Academia de Artes, Ciências e Letras – ACILBRAS, cadeira nº 576, patrono Maestro Caraura; Membro da Academia Literária Virtual do Clube da Poesia Nordestina – ALVCPN, cadeira nº 21, Patrono Patativa do Assaré, também é membro da Loja Macônica Deus e Camocim nº 1, Participou do 1º Festival online do Brasil de poesias, idealizador do projeto Espaço Cultural Casa do Cordel, cujo patrono é João Tibúcio do Nascimento e tem como padrinho o poeta Tião Simpatia. João Batista veio para Camocim aos 4 anos de idade onde permaneceu até aos 17 anos quando ingressou na Marinha do Brasil. Serviu em Fortaleza, Belém e Rio de Janeiro, onde passou 36 anos ausente. Desde 2014 retornou definitivamente para Camocim onde reside até o momento. Autor de mais de 200 títulos de cordéis, e com mais de 800 textos entre vários segmentos literários, onde sempre exalta e defende a sua cidade de coração (Camocim) divulgando a cultura nordestina para todo o Brasil. Escreve para o site: Recanto das Letras, onde recebeu o pseudônimo de Joabnascimento e possui um blog, onde posta seus textos. Atualmente casado com Valdilena Cunha Fontenele e pais de dois filhos, Leonardo Bento do Nascimento e Luis Eduardo Bento do Nascimento, residentes no Rio de Janeiro.

Sou Joabnascimento

Um poeta nordestino

Eu carrego em meu destino

O cordel no pensamento

Com o meu conhecimento

Gravado em minha memória

Consegui muita vitória

Através do meu cordel

Em folhetos de papel

Vou expondo minha história.

 

Patrono

 

Patativa do Assaré

 

Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se nacionalmente com o poema “Triste Partida” em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

Infância e Adolescência

Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva) nasceu no sítio Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. Foi o segundo dos cinco filhos dos agricultores Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva.

Com seis anos, perdeu a visão do olho direito em consequência do sarampo. Órfão de pai aos oito anos de idade teve que trabalhar no cultivo da terra, ao lado do irmão mais velho, para sustentar a família.

Com a idade de 12 anos, Patativa do Assaré frequentou uma escola durante quatro meses onde aprendeu um pouco da leitura e se tornou apaixonado pela poesia. Com 13 anos começou a fazer pequenos versos. Com 16 anos comprou uma viola e logo começou a fazer repentes com os motes que lhe eram apresentados.

O Apelido de Patativa do Assaré

Descoberto pelo jornalista cearense José Carvalho de Brito, Patativa publicou seus textos no jornal Correio do Ceará. O apelido de Patativa surgiu porque suas poesias eram comparadas com a beleza do canto dessa ave nativa da Chapada do Araripe.

Com vinte anos, Patativa do Assaré começou a viajar por várias cidades do Nordeste e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe. Viajou para o Pará em companhia de um parente José Alexandre Montoril, que lá morava.

Patativa passou cinco meses cantando ao som da viola em companhia dos cantadores locais. Nessa época, incorpora o Assaré ao seu nome. Patativa do Assaré que foi casado com D. Belinha, teve nove filhos.

Primeiro Livro de Poesias

Entre 1930 e 1955, Patativa permanece na Serra de Santana, quando compõe a maior parte de sua poesia. Nessa época, passa a declamar seus poemas na Rádio Araripe, quando é ouvido pelo filólogo José Arraes, que o ajuda na publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina” (1956), onde reuniu vários de seus poemas.

Triste Partida

Mesmo com um linguajar rude falado pelo sertanejo, crivado de erros e mutilações, a poesia de Patativa do Assaré teve projeção por todo o Brasil com a gravação de “Triste Partida” (1964), pelo cantor Luiz Gonzaga:

Setembro passou
Oitubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz. (…)

A poesia de Patativa do Assaré traz uma visão crítica da dura realidade social do povo sertanejo o que lhe valeu o título de “Poeta Social”. Um exemplo é o poema “Brasi de Cima e Brasi de Baixo:

Meu compadre Zé Fulô,
Meu amigo e companheiro,
Faz quage um ano que eu tou
Neste Rio de Janeiro;
Eu saí do Cariri
Maginando que isto aqui
Era uma terra de sorte,
Mas fique sabendo tu
Que a miséra aqui no Su
É esta mesma do Norte.

Tudo o que procuro acho,
Eu pude vê neste crima,
Que tem o Brasi de Baxo
E tem tem o Brasi de Cima.
Brasi de Baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
O de Cima tem cartaz,
Um do ôtro é bem deferente;
Brasi de Cima é pra frente,
Brasi de Baxo é pra trás. (…)

Mesmo longe dos grandes centro, Patativa estava sempre atento com os fatos políticos do país, a política também foi tema de sua obra. Durante o regime militar, ele criticou os militares e chegou a ser perseguido. Participou da campanha das Diretas Já, e em 1984 publicou o poema “Inleição Direta 84”.

Patativa do Assaré publicou inúmeros folhetos de cordel, viu seus poemas serem publicados em jornais e revista. Suas poesias foram reunidas em diversos livros, entre eles: “Cantos da Patativa” (1966), “Canta lá Que Eu Canto Cá” (1978), “Aqui Tem Coisa” (1994), entre outros. Com a produção de Fagner, gravou o LP “Poemas e Canções” (1979). Em 1981 lançou o LP  “A Terra é Naturá”.

Últimos Anos

Ao completar 85 anos, Patativa do Assaré foi homenageado com o LP “Patativa do Assaré – 85 Anos de Poesia” (1994), com participação das duplas de repentistas Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio e Otacílio Batista e Oliveira de Panelas.

Os livros de Patativa do Assaré foram traduzidos em diversos idiomas e seus poemas tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.

Patativa do Assaré, sem audição e totalmente cego desde o final dos anos 90, faleceu em consequência de falência múltipla dos órgãos, em sua casa em Assaré, Ceará, no dia 8 de julho de 2002.

Poesias de Patativa do Assaré

  • A Festa da Natureza
  • ABC do Nordeste Flagelado
  • Aos Poetas Clássicos
  • A Terra dos Posseiros de Deus
  • A Terra é Naturá
  • A Triste Partida
  • Cabra da Peste
  • Caboclo Roceiro
  • Cante Lá, Que Eu Canto Cá
  • Casinha de Palha
  • Dois Quadros
  • Eu Quero
  • Flores Murchas
  • Inspiração Nordestina
  • Lamento Nordestino
  • Linguagem dos Óio
  • Mãe Preta
  • Nordestino Sim, Nordestino Não
  • O Burro
  • O Peixe
  • O Poeta da Roça
  • O Sabiá e o Gavião
  • O Vaqueiro
  • Triste Partida
  • Vaca Estrela e Boi Fubá

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