Cadeira 28: Aurineide Alencar

 

 

 

Aurineide Alencar de Freitas Oliveira, nascida em Catolé do Rocha/PB, em vinte e sete de agosto de mil novecentos e sessenta e cinco. Filha de Hercílio de Alencar e Abigail Alencar de Freitas. Professora aposentada na Rede Estadual de Mato Grosso do Sul, onde na condição de professora alfabetizadora de primeira à quarta séries, sempre utilizou a Literatura de cordel como um meio facilitador da habilidade do processo da lectoescrita. Casada com José Alves de Oliveira, mãe de três filhos e avó de três netas. Formada no curso de Letras, Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Especialista em Metodologia do Ensino Superior, Especialista em Educação e Mestra em Educação. Seu contato com a leitura começou aos sete anos, soletrando com a mãe numa Carta de ABC e fazendo os primeiros números da tabuada. Entrou em um Grupo escolar, numa sala multiseriada aos oito anos, já alfabetizada e lendo os folhetos de cordéis para o pai, a mãe e os avós. Permaneceu nele até a terceira série. Da quarta série em diante passou a estudar na cidade, onde os principais livros que lia sempre foram os livretos de cordéis, os quais fazem parte da cultura nordestina.

Reside em Dourados desde 1997. Adepta da Literatura de cordel tem cinco livros publicados: Nas veredas do cordel, Vida em versos, Mato Grosso do Sul nas asas do cordel, Pescador de cantos e Embrenhando-se em cordel. Noventa e seis Folhetos publicados: A escolhida, A matemática diferente, Alma penada, Aprendendo ortografia no cordel, Botija no sertão, Caminhos Turbulentos, Confusão na escola, Em busca do alistamento, Família de AZ, Fé inexplicável em Frei Damião, Feliz natal de Dourados, Férias no Sul, Formando a igreja, Lobisomem, Matemática em versos, Meu avô e a mula, No mundo do Pantanal, O enviado, O lobisomem da capital, O saci que meu pai viu, O vulto, Trânsito com poesia, Três amigas em férias, Uma luz inesquecível, Versos gramaticais, A divisão, A turma “Pato branco” no mestrado…, ABC das profissões, A guerra do Paraguai em cordel, Crendices do Mato Grosso do Sul, Desafios da Educação, Divulgando a Erva-mate, Dízimo, Dois casamentos e um único amor, Dourados em Noite de Natal, Em busca de sonho no exterior, Indígenas do MS, O Brasil e regiões, O meio ambiente clama, Painho me fez assim, Páscoa, Passeio na Fazenda Campanário, Piadas na escola, Ser diferente é gente, Último encontro, A nordestina que mudou o destino, A princesa que cortou o cabelo, A turma pato branco no mestrado… II, A turma pato branco no mestrado… III, Belezas do MS, Biomas brasileiros, Divino Pai Eterno, Em busca de um sonho no exterior II, Em busca de um sonho no exterior III, O escolhido por Deus, Ética e cidadania, Mãe, Medo desmedido afasta bênçãos, Nossa Senhora Aparecida, O menino que sonhava em ter um irmão, O valor do Náutico no futebol brasileiro, Os loucos também escrevem, Quero ter um mundo limpo, Sou humano o que basta é ser feliz, Uma história de amor Ariele e Alan, A crise da água, A cura da depressão, A lenda das estrelas em cordel, A menina e a escolinha, A persistência de um professor, Cana é ouro verde, Lampião, Mulher, Representando cores, Uma noite e nada mais, Vencendo o preconceito no Novembro azul, A força de um império, Conquistas de um brasileiro, Riquezas do cone sul, Apenas um dia, Diversidade e riquezas do catolé, Doador de sangue, Nossa Senhora de Lourdes, Raízes ciganas, Meu “Padim” padre “Ciço”, Agosto lilás, Campo Grande, os olhos do Pantanal, Aprendendo com cordel, Setembro amarelo, O MS em busca de Paz, Dom Redovino, Sementes de Paz, Onde mora o Saci?, Cidade Morena, Herança do chamamé, O conselho é para todos. Quatro folhetos em prelo: Matemática rimada, Festas Juninas, Aniversário compartilhado, Casa de Juvenal Galeno.Forma a dupla: Óxente & Tchê com a escritora e poetisa: Odila Schwingel Lange. Participação em mais de quarenta Antologias, nacionais e internacionais. Membro efetivo da Academia Douradense de Letras( ADL), Academia de Letras do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (ALB/MS), Academia Feminina de Letras e Artes do Mato Grosso do Sul (AFLAMS).União Brasileira de Trovadores (UBT). Membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG (ALTO), Academia Norte Rio Grandense de Literatura de Cordel (ANLIC) ) Acadêmica associada da Academia Latinoamericana de Literatura Moderna(ALLM), sócia da União de Escritores e Artistas de Tarija/Bolívia. Membro e Conselheira fiscal no Instituto Pirâmide. Embaixadora da paz: (France & Suisse).Embaixadora Universal da Cultura com aval UNESCO).

 

Patronesse

 

Maria das Neves Baptista Pimentel

 

 

Maria das Neves Baptista Pimentel
Naturalidade: João Pessoa – PB
Nascimento: 02 de agosto de 1913
Falecimento: 15 de outubro de 1994

Atividades artístico-culturais: Poetisa e cordelista.
Cordelista Paraibana, Maria das Neves Baptista Pimentel era filha do poeta e editor de cordel Francisco das Chagas Baptista. Nasceu em 02 de agosto de 1913, mas foi registrada dia 12 de agosto do mesmo ano, e recebeu esse nome em homenagem a Nossa Senhora das Neves. Seu pai também era dono de uma livraria e uma tipografia, o que facilitou sua entrada no mundo do cordel, a impressão e a comercialização dos folhetos. É a primeira mulher a publicar folhetos, em 1938, com o cordel “O violino do diabo ou o valor da honestidade” publicado e vendido na livraria do seu pai em João Pessoa, cidade na qual morou a partir de 1945 após a morte do seu marido, mas como vivia em uma época preconceituosa e patriarcal ela teve que usar o pseudônimo Altino Alagoano, o primeiro nome de seu marido, Altino de Alencar Pimentel (com quem casou em 1933) e o segundo nome, seguindo a tradição dos cordelistas, remete ao estado onde ele nasceu: Alagoas. Somente a partir de 1970 é que se pode verificar a autoria feminina em publicação de folhetos de cordel. Como ela mesma declara em entrevista concedida a Maristela Mendonça (1993):
Com dificuldades financeiras Maria das Neves passa a “traduzir” para a literatura de folhetos narrativas oriundas da “literatura alta”, termo que ela usa para se referir às suas leituras eruditas. Foram, então, transpostos para a literatura em versos três romances que deram origem aos seguintes folhetos: O Corcunda de Notre Dame, publicado em 1935, inspirado no romance homônimo de Victor Hugo; O amor nunca morre, inspirado no romance Manon Lescaut, do Abade Prévost, e publicado em 1938; e O violino do diabo ou o Valor da Honestidade, inspirado no romance O violino do diabo, de Victor Pérez Escrich, também publicado em 1938. Em seu processo de criação Maria das Neves pretendia tornar mais acessível semântica e linguisticamente um texto de origem erudita para um público de leitores/ouvintes semiletrados ou totalmente sem conhecimento das regras da língua formal. Outra estratégia que se tornaria importante para a aceitação do público seria optar pela reiteração dos valores patriarcais vigentes na comunidade, dentre os quais a honra e a virtude femininas.
Embora Maria das Neves tenha reafirmado os valores vigentes na sociedade em que vivia, permanece o fato de que, naquele momento e naquele contexto, não havia como seus versos se contraporem aos dogmas instituídos, por duas razões: suas rimas não agradariam o público, e, portanto, não seriam vendáveis, e também porque, tendo sido a cordelista criada no âmbito de uma sociedade tão restritiva como a Nordestina do começo do século XX, era natural que reproduzisse os mesmos valores consagrados pela maioria. Mesmo agindo de acordo com o mundo à sua volta, permanece o fato de que Maria das Neves foi a primeira mulher a produzir e publicar folhetos de cordel rompendo desse modo a hegemonia de décadas de poetas e cantadores masculinos, inclusive no âmbito familiar em que o pais e os irmãos encabeçavam os grandes nomes da poesia popular.

Um comentário em “Cadeira 28: Aurineide Alencar”

  • Troya D'souza disse:

    É com muita alegria e satisfação, que academia recebe a noticía do seu engajamento. Isso nos traz grande otimismo em podermos contar com os prestimos de quem tanto se devota a nossa cultura. Seja bem vinda e parabéns.
    Atenciosamente: do amigo e poeta, Troya D’souza!

    Reply

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