Cadeira 44: José Farias

 

José Farias

 

José Oliveira de Farias, natural de Parari-PB Nasceu, no dia 19 de janeiro de 1965. Filho dos agricultores, Eulália de Queiroz Oliveira(in memorian) e José de Farias Tavares.

Há 36 anos residente em João Pessoa-PB Profissão, supervisor de produção, da indústria alimentícia, atualmente, comerciante, no ramo de alimentos, laticínios!

 

Patrono

Manoel Xudu

 

Poeta Manoel Xudu Sobrinho, Manoel Xudu, ou, simplesmente, Xudu, nasceu em São José de Pilar-PB em 15 de março de 1932 e faleceu em 1985, em Salgado de São Félix, onde residia.

Atividades artístico-culturais: Poeta, cantador e repentista.

Manoel Lourenço da Silva foi um homem simples, generoso, eternamente cavalheiro, incapaz de um ato ríspido, mesmo nas horas em que sua tranquilidade corresse o risco de ser ameaçada. Nem por isso deixou de ser um poeta atormentado, de permeio, entre “o mundo e o nada”, o pranto e o riso.

Conterrâneo de José Lins do Rego e de João Lourenço, violeiro em plena atividade profissional. Mas viveu grande parte de sua vida e faleceu, na cidade de Salgado de São Félix, situada às margens do Rio Paraíba.

Segundo o pesquisador da cultura popular Ésio Rafael “A obra de Manoel Xudu exige um conhecimento maior desse gênio do repente. Cada estrofe é um monumento de Arte, a expressar uma cascata de emoções que despenca em uma alma profundamente humanística”.

E acrescenta “O repentista preenche as exigências da categoria, no que concerne, o cantador, o poeta, e o repentista. O cantador canta em qualquer estilo, atende ao mercado, espreita os acontecimentos diários. O poeta não se explica, graças a Deus! “.

Tudo tende à emoção. É o Arquiteto dos sonhos e da metáfora. O repentista é simplesmente maravilhoso! É a marca registrada do repente. É quem pega o fato no ar, muitas vezes sem saber nem o que vai dizer. “Ele pega de bote”.

O poeta era tudo isso, dentro de uma simplicidade tamanha, ele abordava os temas mais profundos, com a maior presteza. A arte do improviso alimentava corpo e alma deste poeta, do “Pilar”. Bom tocador de viola, o que é um tanto raro dentre os repentistas. Ele e Severino Ferreira quando se deparavam, o “cancão piava”, no desafio só de viola. Gostava de uma “branquinha”. Às vezes os próprios colegas o prendiam num quarto, até de motel, contanto que ele estivesse bom para o desafio noturno dos “Festivais”.

Manoel Xudu tinha o olho biônico. Seus versos eram recheados de carinho, paixão, desde quando necessários. Cantou com mais de cem, só perdeu para a jurubeba (pinga) que o levou ao túmulo. Virou repentista imortal, o maior de todos depois de Pinto do Monteiro, nesta arte extraordinária que é a poesia do repente é o grande poeta Manoel Xudu Sobrinho, Manoel Xudu, ou, simplesmente, Xudu.

 

Improvisos de Manoel Xudu:

Sou igualmente a pião

Saindo de uma ponteira

Que quando bate no chão

Chega levanta a poeira

Com tanta velocidade

Que muda a cor da madeira.

Cantar pra Zé de Cazuza

Pra Lourival, pra Heleno

É mesmo que matar cobra

Com um cacete pequeno

Pisar na ponta do rabo

Sem se lembrar do veneno.

Deixe de sua imprudência

Deixe eu findar a peleja

Como é que eu posso cantar

Tocar e tomar cerveja

Cachorro é que tem três gostos

Que corre, late e fareja.

Me admira é o pica-pau

Comer miolo de angico,

Tem hora que é taco-taco,

Tem hora que é tico-tico,

Nem sente dor de cabeça

Nem quebra a ponta do bico.

Minha mãe que me deu papa

Me deu doce, me deu bolo

Mãe que me deu consolo

Leite fervido e garapa

Mamãe me deu um tapa

E depois se arrependeu

Beijou aonde bateu

Acabou a inchação

Quem perde mãe tem razão

De chorar o que perdeu.

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