Cadeira 55: Alex Alves

Alex Alves

 

Alex de Almeida Alves, é coariense, nasceu em 19 de março de 1990, filho de Adelmar Rodrigues Alves e Maria Sandira Gomes de Almeida, ambos agricultores e naturais de São João do Paricá, Alto Rio Copeá, comunidade rural de Coari/AM, onde viveu parte da sua infância.

Formou-se em Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa (2014), pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Logo, especializou-se em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela Faculdade Única de Ipatinga (FUNIP); Língua Brasileira de Sinais – Libras; e Educação Especial e Neuropsicopedagogia. Ambas pela Faculdade Cândido Mendes (UCAM).

Tem participação na obra Antologia Poética: Uma Literatura Coariense (2015). Obras publicadas: Saga Ribeirinha – Poemas (2015); Adelmar (2016); Olha Já! “O Dizer Caboclo Nas Rimas do Cordel” (2016); e Telézé!? (2017). Nos anos de 2017 e 2018, criou e desenvolveu, na escola Estadual Prefeito Alexandre Montoril, os projetos “UniVerso de Cordel” e “Literatura de Cordel: um instrumento facilitador para aquisição de conhecimento e incentivo à leitura e escrita”.

É casado desde 2013 com Gerivana de Souza Alves. É pai de Kaylla Alessandra e Aléxia Alves.

Atualmente, está cursando Letras Libras, pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Desenvolve projetos e ministra oficinas de Literatura de Cordel. Faz apresentações em eventos sociais, culturais e religiosos – em rádio, televisão e nas redes sociais (internet).

Seu padrinho Acadêmico é o poeta e Produtor Cultural Iranildo Marques.

 

Patrono:

Alexandre Montoril

 

Alexandre Pereira Montoril, nasceu no dia 31 de janeiro de 1893, na cidade de Assaré, distrito do Crato, no estado do Ceará. Sua infância foi pobre e logo cedo, para ajudar no sustento da família, Alexandre teve que trabalhar como ferreiro e ourives. Mais tarde ele e sua mãe mudaram-se da cidade do Crato-CE. Em pouco tempo se tornou funcionário público da Prefeitura com a função de Fiscal e Cobrador de Impostos na feira da cidade. Nesse período o seu pai e os seus irmãos estavam morando na Amazônia.

Em 1907, faleceu sua mãe, sendo então acolhido, por um primo seu. Em junho de 1909 Alexandre Montoril foi ao encontro de sua família no Norte. Em junho de 1910, seu pai adoeceu e veio a falecer, ficando órfão Alexandre Montoril com 17 anos.

No Amazonas Alexandre Montoril fez história. Foi militar do corpo de bombeiros, delegado de polícia, capitão, dentista, prefeito do município de Coari por 15 anos e deputado estadual.

Foi grande a sua contribuição para a educação e para a literatura em Coari. Sendo ele o responsável por levar a poesia de cordel para o município quando assumiu a prefeitura em 13 de janeiro de 1928, nessa época Coari ainda era uma pacata cidade do interior e sem muitos precedentes culturais no âmbito literário.

No dia 10 de novembro de 1940, Alexandre Montoril inaugurou, em Coari, a primeira Biblioteca Pública denominada “Álvaro Maia”. Ficou conhecido por incentivar os jovens ao ofício da leitura, declamação e produção literária. Existem relatos de que ele vivia a fazer versos e os declamar em praça pública e que, quando encontrava um jovem, sempre dizia: “Quero saber o seu valor. Diga-me um verso de cor!”

O poeta chegou a publicar o livreto Folclore Coariense (1957); e diversos poemas no jornal impresso “O Comércio de Manaus”, entre as décadas de 1960 e 1970. Entre eles estão os poemas dedicados à cidade de Coari, e as cartas, em forma de cordel, que ele mandava para o seu primo Patativa do Assaré:

 

COARI, TERRA MÁRTIR

 

Punge-me o triste estado,

Do teu solo sem destino,

“Espojetado” e ao desatino

De um Plano infernal,

Eras tu o meu orgulho,

A razão da minha vida,

Da minha constante lida

No setor municipal.

 

Agora tão desmembrado,

Em seis pedaços partidos.

Não ouvem os teus gemidos

E os brados de Montoril

Nessa luta desigual…

Ninguém te presta atenção,

Por isso na eleição,

Despreza quem te faz mal.

 

Em teu favor, Terra amiga,

Uso a rima mais candente,

O labéu mais contundente,

Profligando o Alto insano,

De inconsciente algoz,

Que a pretexto de progresso

Encobre o intuito perverso,

E te envolve em ledo engano.

 

Já foste espoliada

Sem a consulta do povo;

E para alcançar de novo

A tua antiga grandeza

Que o passado te deu,

Passarás tempos amargos,

Presa a duros encargos,

Semelhante a Prometeu.

 

Que apareça um novo Hercules

Num Plínio sensato e justo,

Que no leito de Procusto

Atira os teus inimigos:

E quando chegar a eleição

Máxima para prefeito,

Não esqueças o malfeito

E neles não votes não!

 

Por: Alexandre Montoril

Em: 01/06/63

 

 

CARTA AO PATATIVA

 

Meu presado Patativa

Me perdoe tanta demora

Pois só pude nesta hora

Responder sua missiva,

Com a saudade mais viva

Do nosso amado Torrão,

Este ano tão castigado

Que causou tanta aflição

Pelo inverno desgraçado.

 

O seu perfeito relato

Desse grande aguaceiro

No seu estilo faceiro

E cheiro de flor do mato,

Você pintou o retrato

Da vida nesse sertão,

Quero nesta ocasião

Lhes falar de Assaré,

Se ainda marcha a ré,

Se não vai pra frente não…

 

Fiquei muito constrangido

Com o negócio do algodão

Que só dá para o patrão,

Com certeza está errado,

Porque quem planta o roçado

É quem colhe o algodão,

Não é por certo o patrão,

Mas sim o agricultor,

Portanto não é favor

Lhes caber maior quinhão…

 

Também fiquei comovido,

(Por que não dizer contente?)

Do julgamento decente,

Do conceito expressivo,

Tão bondoso, tão altivo,

Da minha vida de luta!

Embora haja quem discuta,

O meu passado é descente,

Mesmo assim, meu parente

Não topo gente corrupta!

 

No Amazonas, agora,

O corrupto não tem vez,

No governo de Arthur Reis,

O moral se revigora,

Só não resolveu por hora

O problema carestia,

Tudo aumenta dia a dia,

Principalmente no Norte

Onde a questão de transporte

Causa esta anomalia…

 

Quando chega o trigo

Que nos vende a Argentina

A demora amofina,

Maltrata como um castigo

O açúcar, outro artigo,

Onde embora brasileiro

Está ficando “vasqueiro”,

Não sei caso porquê é!

O mesmo se dá com o café

Que custa muito dinheiro…

 

Você que esteve aqui

Vivendo a santa paz

Dialogando com o Braz

Que nasceu no Cariri

E aqui tomou açaí

E por isso aqui ficou.

Me diga se não levou

A saudade desta terra

Pra cima da sua Serra

Pra onde você voltou!

 

Os tubarões estão em medo

E as sardinhas andam soltas,

Enquanto as águas revoltas

Batem em cheio ao rochedo,

Ameaçando o penedo

Da nossa base foral!

Se cair no vendaval

O nosso caro Brasil

Só nos resta o fuzil,

Pra debalar esse mal!

 

Enquanto estiver castelo

Governado a Nação,

Manterá a revolução,

Com justiça e com desvelo:

Mas há sempre um pesadelo,

Que impõe vigilância ativa,

Pra não se andar à deriva

No mar da inflação!

Estou eu não com a razão,

Meu prezado patativa?!

 

Alexandre Montoril

Em: 10.10.64

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