Cadeira 75: Massilon Silva

 

 

 

Massilon Silva

Natural de Alagoas, graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Maceió, cidade onde militou no jornalismo como correspondente do Jornal de Hoje, Jornal de Alagoas e semanário Desafio, nas décadas de 70/80. Em sua cidade natal, Pão de Açúcar, cursou o ensino médio (Curso Pedagógico), atuando mais tarde  como professor em cursos do SENAC. Em Aracaju lecionou História das Religiões na extinta Faculdade Alfa. Dedicou-se desde muito cedo à literatura, com destaque para o cordel e poesias em geral, sendo detentor, dentre outros dos seguintes prêmios: 2° lugar, I Concurso Internacional de Trovas de Portugal – novembro/2018; 5° lugar (poesia erudita), 7° Concurso Literário de Itaporanga/PB – janeiro /2019; 2° lugar (cordel), 7° Concurso Literário de Itaporanga/PB- janeiro /2019; 12° lugar, Concurso Internacional Doces Poemas – Revista Inversos – março/2019 ;7° lugar, 30° Concurso Internacional de Poesias Contos e Crônicas – ALPAS 21 – maio/2019; 1° lugar (menção especial), Concurso Internacional de Trovas de La OMT – Cuba – junho/2019 ; 5° lugar (menção honrosa), II Concurso Internacional de Trovas da OMT – Chile – julho/2019 ; 2° lugar no Concurso de Cordel da Biblioteca Anita Porto Martins, da cidade do Rio de Janeiro – agosto /2019 ; 1° lugar, I Jogos Florais de Ibatiba, UBT/ES – agosto /2019; 1° lugar, 38° Concurso Literário da Universidade de Sorocaba – UNISO (SP) – outubro/2019; 1° lugar, concurso do Diário da Poesia, São Gonçalo/RJ – outubro/2019; 5° lugar, Concurso de Trovas UBT/Natal – outubro/2019; Prêmio Conessione Italia/Brasile (cordel), Webmusic Italian Fest – outubro/2019; finalista do XXVIII Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos – dezembro/ 2019. Mantém uma coluna semanal sobre cordel no Portal Conexão Brasil/Itália e um quadro semanal sobre cultura popular, com destaque para o cordel, no programa Nação Nordeste da Rádio Metropolitana 1090 AM do Rio de Janeiro. Membro da Academia de Letras de Pão de Açúcar/AL, da Academia Sergipana de Cordel, da Academia Alagoana de Literatura de Cordel e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

 

Patrono

Moraes Moreira

 

 

 

LITERATURA DE CORDEL

CORDEL BIOGRÁFICO DE MORAES MOREIRA
“MEU NOME É BRASIL”

Quem nasceu para cantar
Há de ser sempre feliz
Espanta todos os males
Conforme o provérbio diz
Assim foi Moraes Moreira
Que soube fazer carreira
Na trajetória que quis.
..
Na estrada que palmilhou
Enfrentou dificuldade
Porém nunca demonstrou
Receio ou fragilidade
Com fibra de nordestino
Foi buscar o seu destino
Bastou força de vontade
.
Ainda na adolescência
Revelou a vocação
De ser um dia um artista
De muita consagração
E por onde ele passava
E o seu violão tocava
Logo chamava atenção
,

Virou logo seresteiro
Na sua terra natal
Nas praças e nos botecos
Já ninguém tocava igual
Progrediu em Caculé
Com um parceiro de fé
O sucesso foi geral
.
Ir embora pra “Bahia”
Já tinha como intenção
Em busca do que trazia
No fundo do coração
Que não era ser Doutor
Porém um grande cantor
De fama nesta Nação
.
Lá encontrou o cenário
Que de menino sonhou
Artistas de todo porte
Com muitos deles tocou
Sendo Tomzé o primeiro
Que lhe mostrou o roteiro
Musical de Salvador
.
Foram muitos os amigos
Que também fizeram parte
Do começo da jornada
Na trajetória da arte
Tendo todos na memória
Para contar a história
Cuja glória ele reparte

.
Por Tomzé apresentado
Conheceu Luiz Galvão
Vindo lá de Juazeiro
Com a mesma vocação
Sem querer ser engenheiro
Veio buscar um parceiro
Pra compor em comunhão.
.
Outros vieram depois
Mais ou menos em dois anos
Ir embora da Bahia
De todos eram os planos
E sendo o que aconteceu
Lá em São Paulo nasceu
O Grupo “Novos Baianos”
.
O protesto e a tropicália
Compunham os movimentos
Da música popular
Daqueles áureos momentos
Sem falar da bossa-nova
Com muita gente famosa
Revelando seus talentos
.
Certo dia – conta Moraes
Que no Rio de Janeiro
João Gilberto chegou
Retornando do estrangeiro
Quando foi comunicado
De um grupo novo formado
Que tocava o dia inteiro

Desse encontro resultou
Uma mudança total
No que o grupo produzia
E o projeto musical
Com o primeiro LP
Todo Brasil pôde ver
Um som sensacional
.
Assim os Novos baianos
Vivendo em comunidade
Fizeram muito sucesso
Criando com liberdade
Naquela nova cadência
Compondo com competência
Música de qualidade
.
Porém, um dia Moraes
Deixou o grupo e partiu
Em uma carreira solo
Era o novo desafio
Depois do “Pombo Correio”
O sucesso logo veio
Cantando em cima do trio
.
A partir de então cresceu
Bateu asas e voou
Balançou o chão das praças
Fez festas do interior
Com “Meninas do Brasil”
Mostrou que tinha perfil
De grande compositor

.
Cantou o nosso Poeta
E a cultura da Bahia
Vibrou com gente mestiça
Temperada de magia
Tornou-se Moraes Moreira
Nesta Nação Brasileira
Mensageiro da alegria
.
Cantando em todo Brasil
Capitais e interior
Com talento e simpatia
O fã clube conquistou
Com seu ritmo vibrante
Sem dançar um só instante
Nunca seu público ficou
.
No Oriente e nas Américas
E pela Europa também
Moraes cantou suas canções
Sem inveja de ninguém
Exportou o trio elétrico
Com o seu ritmo frenético
Que só a Bahia tem
.
Compositor de respeito
De violão magistral
Dedilhado com pureza
De maneira original
Na verdade o companheiro
Com quem anda o tempo inteiro
Desde o Ano Novo ao Natal

.
Com a mesma competência
Compõem ritmos diversos
Escreve letras bem feitas
Criativas nos seus versos
Às vezes em parcerias
Faz músicas de poesias
Transformadas em sucessos
.
Homenagens a sua terra
Humilde sabe render
Não se esquece da Família
Com quem não pode viver
Mas nela encontra raízes
Dos seus momentos felizes
Com sempre há de ser
.
Continue querido irmão
Cantando assim sem parar
Como fazem as cigarras
Até o papo estourar
Ser o cantor da alegria
Foi a grande profecia
Que jamais pode olvidar
.
Nem sei se neste momento
Fui capaz de traduzir
O completo sentimento
Nos versos que escrevi
Mas diante da emoção
Ao meu ébrio coração
Resta chorar e sorrir

.
Chorar de tanta alegria
Sorrir de felicidade
De ter um irmão famoso
Desculpem a vaidade
Porque Moraes Moreira
Demonstrou na sua carreira
Ser artista de verdade
.
Pra quem não sabe Moraes
Tem outro nome na pia
Moreira é só artístico
Como até hoje trazia
Mas agora preferiu
Dizer: “Meu nome é Brasil”
Uma eterna sinfonia.
.
Moraes assim continua
A compor e fazer planos
Já escreveu a história
Do Grupo Novos Baianos
Sendo um dos protagonistas
Hippies, loucos, ativistas
Chamados naqueles anos
.
Tem outro livro no prelo
Sobre os grandes carnavais
Vividos em Salvador
Que não retornam jamais
Sobre a Família do “trio”
E o “cantor do Brasil”
Que primeiro foi Moraes

.
Chegando ao fim do cordel
Despeço dos meus leitores
Na história que contei
Defendi alguns valores
Esperando ser aceitos
Por todos sem preconceitos
Ironias ou rancores
.
As falas do coração
Devem ser compreendidas
As da razão, entretanto,
Por certo são discutidas
Quando as duas são misturadas
Deverão ser acatadas
E por todos aplaudidas
.

Da nossa mãe e irmãos
Dos amigos e dos parentes
Inclusive os que se foram
Mas em espíritos presentes
Votos de pleno sucesso
E em nome de todos peço
Que as voltas sejam freqüentes
.
Finalmente meu irmão
De “Brasil” chamado agora
Um abraço afetuoso
Com saudade mando agora
Sucesso e felicidade
Pois música não tem idade
Só faz bem a toda hora.

Um comentário em “Cadeira 75: Massilon Silva”

  • Conceição Maciel disse:

    Parabéns. Você é um grande artista das letras, um importante representante do Cordel e uma pessoa admirável. Sucesso.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estes HTML tags e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>