Cadeira 78: Floriano Maurício

 

 

Floriano Maurício

Nasceu em 1 de Junho de 1954 na Zona Rural de Boqueirão – PB, a 47 km de Campina Grande, na localidade denominada Barriguda (Barriguda, hoje, pertence a Barra de Santana, vila emancipada de Boqueirão), distante 6 km da igrejinha de São Sebastião, onde foi batizado com um mês de nascido.
É filho do casal de agricultores Heleno Floriano Maurício e Maria de Freitas, ambos analfabetos. Dona Maria era uma grande artesã do Barro. Trabalhava a argila com perfeição em panelas, pratos, tigelas, jarra pra esfriar água… Primeiro, por ter o dom. Segundo, por necessidades, pois não tinham condições de comprar utensílios como esses.

Ao todo, criaram-se 15 irmãos, dos quais, apenas 7 chegaram a estudar. A mais nova cursou até a 8ª série, os demais não passaram da 1ª série, com exceção do poeta, o qual só foi à escola aos 13 anos de idade depois de muita insistência e esforços próprios. Foram 4 anos estudando com a professora Maria da Guia Barbosa na Fazenda Pedras Pretas, a uma distância de 5 km de onde morava, que ele tinha que percorrer a pé.

Do primeiro ano de vida até os 17 anos, Floriano teve uma vida nômade junto a sua família, fazendo um total de 14 mudanças. Todas entre a Zona Rural de Boqueirão e Queimadas. Em 1970, mudou-se para a cidade de Queimadas. Foi quando tirou seu registro de nascimento para poder se matricular na quarta série no grupo escolar Veneziano Vital do Rêgo, hoje, escola professor José Miranda. Como não sabia a data de nascimento, colocou aleatoriamente 20 de Maio de 1955. Só soube a data correta, quando precisou do batistério para se casar na igreja, em 1988.

Fez o ginásio no colégio Dulce Barbosa e em 1976 ingressou no curso de Eletrônica, na ETER (Escola Tecnica de Eletrônica e Telecomunicações Redentorista), concluindo em 1978.
Em 1979 através de concurso, entrou no sistema Telebrás em Recife – PE.

Em 1983 se casou e em 1984, nasceu sua primeira filha.
Em 1992 iniciou o curso de Licenciatura em Matemática pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco).

Em 1995, teve fim o seu primeiro casamento e em 1998, concluiu sua Licenciatura. Nesse ano, ocorreu a privatização da Telebrás. Floriano continuou trabalhando no sistema telefônico, agora pela Telemar.
No ano de 2000, casou-se com Josilene da Silva Maciel e em julho do mesmo ano, nasceu a primeira filha do casal, Karoline. Em 2002, nasce a segunda filha do casal, Julianne. No mesmo ano, Floriano se desliga do sistema telefônico.

Em 2005, ingressou no curso de Agronomia, também pela UFRPE, concluindo em 2011.

O gosto pela poesia sempre foi algo presente em sua vida, mas Floriano só começou a escrever a partir de sua entrada no curso de Agronomia. Seus trabalhos acadêmicos, muitas vezes eram feitos em versos. Com o tempo, começou a participar de algumas coletâneas de poesias produzidas pela Universidade. Foi então que conheceu o seu maior incentivador, o poeta Júnior Vieira, servidor da UFRPE, e começaram a ter encontros poéticos.

Em 2011, sua filha Karoline Maciel, que estava estudando Acordeon, musicou uma de suas poesias, Saudades de um gênio, feita em homenagem a Luiz Gonzaga. A música foi então gravada no 1º CD solo de Karoline, intitulado “Fulô do Campo”, lançado em 2013.
Em 2013, surge mais uma música com letra de Floriano e melodia de Karoline: José Domingos Moraes, feita para concorrer no 1º Festival Estudantil de Música em Pernambuco, ficando entre os 10 primeiros lugares.

Em 2015, nasce mais uma parceria de Floriano e Karoline: Sou Matuto. A música ficou em 5º lugar no 15º FENFIT (Festival Nacional do Forró em Itaúnas – ES).

Em 2018, participou pela primeira vez do Festival Vamos Fazer Poesia.
A partir de então, o interesse pela poesia vem aumentando cada vez mais, e com isso continua escrevendo e construindo parcerias poético-musicais com compositores como Júnior Vieira, Nerilson Buscapé e Karoline Maciel.

Patrono

 

Orlando Tejo

 

 

 

Orlando Tejo

Orlando Meira Tejo nasceu em fevereiro de 1935 na Rua da Lapa, centro de Campina Grande – PB. Filho do juiz de direito Orlando de Castro Pereira Tejo e de Dona Maria das Neves Meira Tejo.

Estudou no colégio Pio XI e no Alfredo Dantas. Bacharelou-se em direito pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Advogado, jornalista, professor, folclorista, escritor, poeta. Mas o que mais gostava e se dedicava era poesia. O que sabia ser mesmo, era ser gente. Humildade fora do comum.

Da mesa de estudos passava para mesa de jornalismo. Aos 15 anos iniciou-se no “Jornal Campina”. Depois trabalhou em outros jornais da cidade, como “O rebote”, “Diário da Borborema”, “Tribuna da Paraíba” e “Correio da Paraíba”. Em Pernambuco, dirigiu juntamente com Cláudio Pires o suplemento literário do “Correio do povo”. Foi redator do “Jornal do Commercio”, “Jornal Pequeno” e “Diário de Pernambuco”.

Ao mesmo tempo, era professor da Faculdade de Comunicação da Sociedade de Tecnologia e Cultura do Recife. Onde quer que estivesse, Tejo ganhava a rua, a praça, atuava decididamente em todos os movimentos político-partidários de sua terra.

Foi representante classista, Delegado do Sindicato dos Jornalistas profissionais da Paraíba.

Mas o que fazia mesmo, intensamente, era literatura, serenata de violão em punho e, principalmente, viver em poesia. Foi companheiro de prolongadas noites de: Carlos Pena Filho, Ascenso Ferreira e outros poetas e boêmios de fama. Frequentava muito o bar Savoy, na Avenida Guararapes, em Recife, ponto onde começavam as intermináveis noites boêmias.

Foi orador de rua, em comícios e também dos grêmios literários onde foi orador oficial. Um deles, o clube da poesia do Recife, outro o Grêmio literário Machado de Assis, de Campina Grande. No Recife, fundou ao lado de alguns intelectuais o “Grêmio Literário Joaquim Nabuco” e com outros o jornal “O parnaso”, órgão do Clube de Poesia do Recife. Integrou a Comissão de Folclore do estado de Pernambuco, foi membro efetivo da Fundação Cultural Pessoa de Morais.

Entre poesia erudita e poesia popular, ciência e aprendizado do povo, transitou o admirável Orlando Tejo. Homem do povo, poeta do povo.

Aos 15 anos conheceu o Poeta do Absurdo Zé Limeira, na Rua Manoel Pereira de Araújo, a rua “boa”, quando acontecia uma cantoria entre o poeta do Teixeira e Cícero Vieira, conhecido por Mocó. Nessa época, Tejo trabalhava na rádio Caturité em Campina Grande. Ele então foi à rádio, conseguiu um gravador e acertou uma cantoria para a semana seguinte. Dessa forma, conseguiu fazer a primeira gravação dos versos do Poeta do Absurdo. Infelizmente, esses registros foram perdidos e com eles, os versos do poeta da Serra do Teixeira.

Durante o regime militar, Tejo foi proibido de assinar os trabalhos de redação dos jornais onde trabalhava.

Nesse período também foi preso em Campina Grande e levado para o 14RI em Jaboatão dos Guararapes. Durante o interrogatório foi perguntado se ele podia alguma arma. Tejo afirmou que sim, se referindo, metaforicamente, a uma caneta que levava no bolso como sendo a arma. Em decorrência dessa resposta, o interrogador, então, engatilhou uma arma de fogo em sua cabeça e o agrediu com palavras de baixo calão.

Publicou poucos livros sendo o mais famoso “Zé Limeira – poeta do Absurdo”. O último, “Noite do Alvorada”.

Tejo se referindo há um certo senador da República disse:

Há tantos burros mandando

Em homens de inteligência

Que as vezes fico pensando

Que burrice é uma ciência

Tejo era um homem de uma simplicidade gigante. Foi eleito para assumir uma cadeira na Academia de Letras de Campina Grande, mas não chegou a assumir por não aceitar ter que usar paletó, gravata e sapato social na cerimônia de posse.

Compôs várias músicas. Algumas gravadas, outras ainda esperam alguém para serem gravadas. A mais conhecida “Meu país”, gravada por Flávio José e também por Zé Ramalho. O poeta nos deixou em 1 de julho de 2018, depois de mais de 10 anos sofrendo de Alzheimer.

REFERÊNCIAS

TEJO, Orlando. As Noites do Alvorada: Via Crucis do Caboclo Misterioso/ Orlando Tejo. Recife: Cia Pacífica, 1997. 142p

 

TEJO, Orlando, 1935 Zé Limeira, poeta do absurdo. 5ª ed. Brasilia, Senado Federal, 1980.  244p. Ilust. (Coleção Machado de Assis, 38)

 

TEJO, Orlando 1935 Zé Limeira, poeta do Absurdo/ Orlando Tejo 9ª ed., rev. Recife: Cia Pacífica 1997. 308p.

 

 

Alguns dos fatos narrados foram relatados pessoalmente por Tejo a Floriano, que o conheceu numa cantoria entre João Lourenço e Diniz Vitorino, promovida por Amaro Poeta em Paulista – PE em 1996. A partir de então, surgiu uma grande amizade entre os dois.

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