Cadeira 83: Jorge Furtado

Jorge Furtado

 

Jorge Alfredo de Oliveira Furtado, nasceu na cidade de Fortaleza, estado do Ceará em 11 de junho de 1971. É filho de Maria Alzira de Oliveira Furtado e Alfredo Furriel Dias. É Poeta de estilo livre e cordelista de grande lavra. Tem publicados: Casulo de esperanças (2000), O sertão dos lampiões e a capitá dos apagões (2001 – capa de Audifax Rios), Poemas para quem crê no amor (2004), Lamentos de um candidato (2008), Romance e martírio da bela Inês de Castro – em parceria com Klévisson Viana (2014), Patativa do Assaré – pássaro eterno (2010), Paulo Freire, o pedagogo dos oprimidos (2012), Binho, o menino que aprendeu a amar os passarinhos (2013), Sublimação – em parceria com o Poeta de Meia Tijela (2015), Espelhos (2016), O menino e o ukulelê e outros poemas (2018). Tem poemas e cordéis nas coletâneas Explosões de poesias – Macaé – Rio de Janeiro (1990), Antologia poética cearense (1999), Poetas da Praça do Ferreira – organização de Márcio Catunda (2018), Almanaque Literário do Ceará (2019). Foi laureado com o segundo lugar no certame literário Prêmio Gerardo Dimas Mateus. com o cordel Lamentos da natureza – cidade de Russas – estado do Ceará (2011), Menção honrosa na Antologia Poética do Ideal Clube de Fortaleza, com o poema “Balada ao forasteiro” – (2010).

 

Patrono

Poeta Mário Gomes

 

O poeta, quando nasce com o dom da inspiração, prescinde até mesmo de uma formação cultural acadêmica ou livresca. Do contrário não encontraríamos autêntica poesia em repentistas da estirpe de um Oliveira de Panelas ou de um Otacílio Batista, nem na capacidade criadora de um Patativa do Assaré, que tanto nos encantam pelo dom de sentir as verdades essenciais da vida e transmiti-las com o verbo mágico da síntese ritmada.

Mário Gomes, desde a infância, considerou monótona a vida na província e sempre sentiu o incontido anseio de percorrer o mundo para aprender novas formas de viver e recolher as flores de sua inspiração poética. Conhecer novas cidades, ruas exóticas, praças diferentes daquela que sempre frequentou, a Praça do Ferreira, onde estabeleceu-se cotidianamente, todas as tardes, acompanhado de um grupo de colegas de ócio, desde o tempo em que se vem devotando à poesia. Alimentou sempre o ideal de conhecer os bairros exóticos, diferentes do periférico e proletário Bom Sucesso, onde vive há mais de quatro décadas, outras praias, outras noites com seus bares cheios de poetas boêmios e garotas bandidas, poetisas aventureiras, etc. Por isso, apesar de sentir júbilo em haver nascido em terra cearense, sua alma de boêmio determinou que viajasse, com ou sem condições financeiras, pelas principais capitais do Brasil, onde encontraria o ânimo da urbanidade e a vida noturna que lhe alimentassem a insaciável sede de experiências inauditas. Na terra de Castro Alves, por exemplo, buscou contacto com artistas, boêmios, malandros e aventureiros na cidade de Salvador, onde viveu algumas de suas grandes e perigosas aventuras. E no Rio de Janeiro, cidade das maravilhas, na geografia como na beleza de suas mulheres, o poeta foi também algumas vezes à procura de inspiração. Passeou pelas praias, bebeu nos bares e apreciou as mulheres mais belas do mundo, as cariocas. Tentou em vão encontrar o poeta Vinícius de Morais nos bares de Ipanema e de Copacabana.

Tudo era pretexto para viajar de qualquer maneira, de ônibus, quando ganhava a passagem de presente de algum amigo, de carona ou mesmo a pé, pois nunca tinha grana suficiente. Considerava o Rio de Janeiro o paraíso da poesia, habitado pelo deus da lírica e do romantismo, o carismático e cortejado Vinícius, com quem poderia desfrutar de um bom papo na base do uísque, que certamente o imortal poeta não hesitaria em oferecer a Mário, ou da cachaça, caso o encontrasse numa rua da Lapa, o que Mário seguramente apreciaria muito mais. Viajar é, sem dúvida, uma fonte de inspiração. Por isso, percorreu também, de ônibus, a pé ou de carona, as estradas que conduzem a São Paulo e Belo Horizonte, deslocando-se àquelas cidades em várias ocasiões, e tendo experimentado situações esdrúxulas, insólitas e sofridas, mas curtidas com estoicismo e êxtase, pois o importante era realizar o sonho andarilho e viver novas e inusitadas experiências. Um poeta não deve confinar-se ao seu escritório de trabalho ou a seu quarto de estudos. Há que sair pelas ruas, frequentar os bares e as praças, contemplar as mais diferentes paisagens, sentir a grandeza do universo em seu pensamento, e, se possível, tentar entender como na natureza estão contidos os planetas e as galáxias e sentir na própria alma a expansão do mundo e das idéias.

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