Cadeira 96: Zildomar Gomes

 

ZILDOMAR GOMES DA COSTA – O poeta é natural da cidade de Carnaíba – PE, terra de músicos e do poeta, músico e compositor, reconhecido nacionalmente: “Zé Dantas”, parceiro de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Nasceu em 18 de Abril de 1965. É filho do Major Zenon Gomes da Costa e Dona Maria da Conceição de Jesus (costureira e dona de casa). Os pais se separaram quando ele ainda era um bebê. Aos três anos de idade vai morar em S. Talhada, com a mãe e os irmãos. Tem uma infância simples, mas, tranquila. Faz todos os seus estudos em colégios públicos. Na sétima série é transferido para o recém inaugurado e muito bem conceituado Colégio Methódio de Godoy Lima “O Polivalente“, onde se tornou amigo de sua professora de Português e Redação: Olívia Barbosa, sua primeira e grande incentivadora na arte da poesia e onde conclui o ensino médio! Produz alguns poemas, mas não publica nada, nessa época. Era apenas um hobby! Em 1983, forma-se em Técnico em Agropecuária, profissão que não chega a exercer. No final do ano seguinte, muda-se para Caruaru-PE, com sua família, levado por seu irmão mais velho: Zenóbio! Lá conhece a famosa feira e a arte, em barro, do mestre Vitalino. Começa a desenvolver com mais freqüência seus poemas e reflexões. Por recomendação do seu irmão mais velho, que já era Bancário, estuda e passa no concurso do Banco do Brasil S/A. e em Jan/1987, vai para o interior da Bahia, tomar posse com 21 anos de idade. No final de setembro de 1999, já trabalhando no Recife resolve aderir ao PDV – Programa de Demissão Voluntária –, do governo FHC. E volta para o interior da Bahia para montar uma empresa de extração e beneficiamento de Mármore Bege-Bahia. Na sua gestão a empresa é premiada como a melhor da Região! Junto com outros empresários funda em 2003, a ASSOBEGE, Associação dos Produtores de Mármore Bege-Bahia de Ourolândia e Região. Sem receber o combinado, entre outros problemas e aborrecimentos com os sócios, depois de idas e vindas, resolve deixar definitivamente a Empresa em Fevereiro de 2009. Com um pouco do dinheiro que lhe restou, parte para o setor de alimentação, como gerente administrativo, em um Restaurante da família – MISTURAFINA -, na cidade de Jacobina- BA. Em 22 de novembro de 2010, falece em Recife (PE), seu irmão mais velho, inacreditavelmente acometido de um câncer no Pâncreas! Separado, era quem morava com sua mãe! Em maio de 2012, em processo de separação, deixa a Bahia. Deixa, também, muitas amizades e saudades nos corações dos amigos e retorna pra sua cidade natal, pra ficar mais perto de sua mãe, já idosa e sozinha. Seus outros dois irmãos moravam em Olinda-PE, na grande Recife, e vinham só de vez em quando. Em 2018, sua irmã, que antes vinha ficar, temporariamente, com a mãe, resolve ficar em definitivo! Desse modo, com alguém cuidando da mãe, o poeta decide visitar alguns amigos de infância na cidade de Serra Talhada e nesse contato com o passado, começa a retomar o gosto pelas Letras, pois a poesia havia ficado hibernada por um longo e doloroso período. Portanto, só recentemente, e depois de voltar para Serra Talhada e reencontrar a sua musa inspiradora, é que volta a ter gosto pela poesia e a escrever de forma mais constante e mais prazerosa. Neste ano de 2020, estará lançando um dos seus primeiros livros : “Os Pingos !”

ALGUMAS POESIAS DO AUTOR

HOMENAGEM AO DIA DAS MÃES

( Classificada em 1º lugar no festival Estudantil de S. Talhada – 1981)

MÃE

Amor , caridade e fé !

São três lindos anjos

Numa só mulher!

Mãe, na tua dor eu senti o sabor do mundo!

Teu sofrer selou em mim, um odor profundo.

Minha felicidade brotava de uns gritos!

Para alimentar o desejo do Senhor,

A minha seiva só se nutria da tua.

Entre cuidados, jogava-se aos infinitos,

Alegre e crua… -Adorei-te, era o anjo do amor!

Logo, eu cresci um pouco.

Pra o mundo… – Uma afronta!

Vi crescer iniquidade,

Correndo de ponta a ponta!

Passei por isso e comemorei feito louco.

Mostraste soberania; pois, não tens medo!

És muito maior do que toda a eternidade!

Humildemente, devoto-te o coração.

É para que se preserve, pois, o segredo

Da tua missão… – Meu Anjo da caridade!

Mãe, és o marco maior da simplicidade!

Nos teus olhos há um palpitar de asas divinas

Que nos penetra a alma qual beleza nos lírios

E nas tuas mãos, ásperas e peregrinas.

Com amor vi: caridade muda os martírios!

E com muito mais força ainda te adorei.

Oração viva… – Sorris e choras até!

Diante das tempestades, és os trovões

Com um forte coro de vozes femininas.

… – Ó anjo da fé!

A saga continua… Há muito, o que fazer

Pra vida eternizar esses belos momentos

E um legado pras gerações oferecer!

Mãe eu sei, sou um dos teus mais fortes fundamentos

Com grandes partículas da tua bonança.

Por causa do teu amor,

Caridade e tua fé!

Sou hoje… – O anjo da esperança!

A MULHER

No Éden, o Homem sentiu um vácuo na sua vida.

Deus, então, lhe entregou a fiel companheira!

Que, da criação, foi a obra-prima escolhida

Pra no colo levar a Humanidade inteira!

A mulher com majestosas sendas de luz,

Acolhe nossas lágrimas! Nos assiste

Com carinhos, nos dando paz e calmas,

Que uma leveza e alegria em nós se introduz

Pra ir cultivando o solo de nossas almas!

São afetos, com certeza, e ninguém resiste

Aos bálsamos do coração que cura a dor;

Só essa Deusa nos embriaga de amor!

Neste mundo, a mulher é a paisagem mais bela,

A flor perfeita e a mais querida do Jardim!

Seu corpo é dádiva completa! A aquarela,

Alo e Selo registrados do Paraíso!

Não aceito apelo contra sem que um Querubim

Traga da mão de Deus um Decreto ou um Aviso!

Pois, a olimpíada do amor é Universal;

É a beleza da vida… – É um jogo imortal!

Patrono

 

Castro Alves

 

Castro Alves (1847-1871) foi um poeta brasileiro, representante da Terceira Geração Romântica no Brasil. O Poeta dos Escravos expressou em suas poesias a indignação aos graves problemas sociais de seu tempo. É patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras.

Infância e juventude

Antônio Francisco de Castro Alves nasceu na vila de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves, Bahia, em 14 de março de 1847. Filho de Antônio José Alves, médico e também professor, e de Clélia Brasília da Silva Castro.

Em 1854, sua família mudou-se para Salvador, pois seu pai foi convidado para lecionar na Faculdade de Medicina. Em 1858 ingressou no Ginásio Baiano onde foi colega de Rui Barbosa.

Demonstrou vocação apaixonada e precoce pela poesia. Em 1859 perdeu sua mãe. No dia 9 de setembro de 1860, com 13 anos, recitou sua primeira poesia em público, em uma festa na escola.

No dia 24 de janeiro de 1862, seu pai se casa com a viúva Maria Ramos Guimarães. No dia 25, o casal, o poeta e seu irmão José Antônio partem no vapor Oiapoque para a cidade do Recife, onde o jovem iria fazer os preparatórios para ingressar na Faculdade de Direito.

A Faculdade de Direito e as Ideias Abolicionistas

Castro Alves chegou ao Recife numa época em que a capital pernambucana efervescia com os ideais abolicionistas e republicanas. Na tentativa de entrar na Faculdade de Direito, Castro Alves foi reprovado duas vezes.

Cinco meses depois de chegar, publicava o poema “A Destruição de Jerusalém”, no Jornal do Recife, recebendo muitos elogios.

No Teatro Santa Isabel, que se tornou quase um prolongamento da faculdade, realizavam-se verdadeiros torneios entre os estudantes. Nesse ambiente, em março de 1863, durante uma apresentação da peça Dalila, de Octave Feuillet, Castro Alves se encanta com a atriz Eugênia Câmara.

Em 17 de maio publica no jornal “A Primavera”, sua primeira poesia sobre a escravidão: “La na última senzala,/ Sentado na estreita sala,/ Junto ao braseiro, no chão,/ Entoa o escravo seu canto/ E ao cantar correm-lhe em pranto/ Saudades do seu torrão”.

Um mês depois, enquanto escrevia uma poesia para Eugênia, os sintomas da tuberculose começaram a aparecer. Em 1864 morre seu irmão. Mesmo abalado, é finalmente aprovado no curso de Direito.

Castro Alves participa ativamente da vida estudantil e literária. Publica suas poesias no jornal “O Futuro”. No 4.º número, publica uma sátira à academia e aos estudos jurídicos.

A doença e o caso de amor

No dia 7 de outubro, prova o gosto da morte. Uma dor no peite e uma tosse incontrolável o faz lembrar, da mãe e dos poetas que morreram com a doença. No ímpeto, escreve “Mocidade e Morte”.

República!… Voo ousado/ Do homem feito condor! Novamente a palavra o condor aparece em sua poesia, simbolizando a liberdade. Mais tarde, foi chamado de Poeta Condoreiro.

Em 1868 rompe com Eugênia. De férias, numa caçada nos bosques da Lapa, fere o pé esquerdo com um tiro de espingarda, resultando na amputação do pé. Em 1870 volta para Salvador onde publica Espumas Flutuantes, único livro editado em vida, onde apresenta uma poesia lírica, exaltando o amor sensual e a natureza, como no poema Boa Noite.

“O GONDOLEIRO DO AMOR”
Este canto a uma mulher amada é um exemplo clássico do lirismo romântico de Castro Alves:

“Teus olhos são negros, negros,

Como as noites sem luar…

São ardentes, são profundos,

Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,

Da vida boiando à flor,

Douram teus olhos a fronte

Do gondoleiro do amor.”

“MOCIDADE E MORTE”
Uma ode à vida quando o poeta temia estar perto de sua morte:

“Oh! Eu quero viver, beber perfumes

Na flor silvestre, que embalsama os ares;

Ver minh’alma adejar pelo infinito,

Qual branca vela n’amplidão dos mares.

No seio da mulher há tanto aroma…

Nos seus beijos de fogo há tanta vida…

Árabe errante, vou dormir à tarde

A sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma vez responde-me sombria:

Terás o sono sob a lájea fria.”

“VOZES D’ÁFRICA”
Este poema engajado é um lamento sobre a escravização e clama pelo fim dos abusos:

“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes

Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde desde então corre o infinito…

Onde estás, Senhor Deus?…”

“ADORMECIDA”
O poeta observa uma moça dormindo e relata a cena com um erotismo sutil:

“De um jasmineiro os galhos encurvados,

Indiscretos entravam pela sala,

E de leve oscilando ao tom das auras

Iam na face trêmulos — beijá-la.

Era um quadro celeste!… A cada afago

Mesmo em sonhos a moça estremecia…

Quando ela serenava… a flor beijava-a…

Quando ela ia beijar-lhe… a flor fugia…

“O NAVIO NEGREIRO”
Em seis partes, o poema denuncia o sofrimento dos negros em um navio com rumo ao Brasil:

“Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!”

“Ontem plena liberdade,

A vontade por poder…

Hoje… cúm’lo de maldade,

Nem são livres p’ra morrer. .

Prende-os a mesma corrente

— Férrea, lúgubre serpente —

Nas roscas da escravidão.

E assim zombando da morte,

Dança a lúgubre coorte

Ao som do açoute… Irrisão!…”

 

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