Cadeira 117: Marta Betânia

Marta Betânia

 

Marta Betânia da Silva, nasceu na Cachoeira, zona rural do município de Pio IX, centro-sul do estado do Piauí, no dia 08 de maio de 1967. Filha de Antônio Crispim da Silva (in memoriam) e Maria do Socorro da Silva. Irmãos: Antônio e Ana. Divorciada, mãe de dois filhos: Kalliany e Riyadh. Os melhores presentes que Deus lhe deu.. A família o bem mais precioso. Mora atualmente em Teresina – PI.

Graduada em Letras pela Faculdade de Formação de Araripina – PE (FAFOPA), e pós-graduada em Língua Portuguesa pela Universidade do Piauí (UESPI – Campus de Picos – PI). Professora aposentada da rede estadual de educação do Piauí, ingressou via concurso público, poetisa e cordelista, ou melhor, aprendiz de versos, com um poema publicado no livro Poemático MMVIII – Coletânea de poemas de autores piauienses – Editora Halley, 2008. Segundo lugar no Concurso de Poesia, na categoria adulto, promovido pela Academia de Letras da Região de Picos – PI (ALERP) em 2019. Esse também publicado na Antologia Alerp 30 anos: Concurso de Poesia. Com um cordel sobre o Coronavírus disponível na Amazon.

Apaixonada por literatura, mais precisamente pela literatura infantojuvenil e a literatura de cordel, paixão essa, muito devida ao seu bisavô materno Luís Jerônimo de Vasconcelos, pois o mesmo morou alguns anos na casa dela e que, apesar de não saber ler, tinha vasto conhecimento de mundo e contava estórias à tardinha em prosa e em verso para as crianças da Cachoeira; dentre elas: Os três biquinis de prata, João Grilo, O pavão misterioso, José do Egito e muitas outras.

Ama ler, escrever poemas e cordéis, ouvir música, cantar, principalmente salmos, dançar forró,estar com a família – o bem mais precioso -, viver em paz e ir à igreja.

Ocupa a cadeirade número 117 da Academia Virtual do Clube da Poesia Nordestina e tem como patrono José de Alencar Bezerra, conhecido pelos conterrâneos como “Zezinho”.

 

Patrono

José de Alencar Bezerra

José de Alencar Bezerra, conhecido pelos conterrâneos como “Zezinho”, nasceu no dia 22 de agosto de 1916, em Pio IX – PI, sendo o décimo segundo filho do casal Vitalino Pereira De Maria Bezerra e Almerinda De Alencar Bezerra.

Na idade de 04 anos, perdeu totalmente a visão. Segundo ele, em seu livro “memórias”, as lembranças que ficaram registradas são muito vagas, como por exemplo, a flor bonina de cor rósea.

Sua infância foi vivida entre a Vila de Patrocínio, atual Pio IX, e a Fazenda Vertentes, do seu cunhado Pedro Possidônio, que muito o ajudou a adquirir conhecimentos práticos sobre a vida campestre, através da exploração tátil.

Zezinho recebeu muitas orientações religiosas de sua irmã Maria Eulina e sua madrinha Maria Bertoldo, com quem aprendeu a fazer o sinal da cruz, algumas orações e os principais ensinamentos do velho catecismo. Desde pequeno mostrou ser um homem fervoroso e temente a Deus, demonstrando essa fé através de orações e novenas, participando de festas religiosas e compondo inúmeros benditos católicos.

Durante toda sua vida sempre recebeu apoio da família, mas de maneira muito especial de sua sobrinha Saboinha, que não se cansava de transmitir-lhe os conhecimentos que ela aprendia na escola: gramática, geografia e história. Sua irmã Zulmira, além de ler obras literárias, fazia às vezes de secretária particular, escrevendo cartas para ele enviar à Saboinha, que residia no Crato. Seu irmão Isidro era o esteio financeiro, moral e cultural, pois não se cansava de ler e conversar sobre os mais diversos assuntos da atualidade. Sua irmãLídia, sempre cuidadosa, prestativa e atenciosa para com ele.

Devido ao grande contato que teve com a natureza desde muito jovem, duas árvores marcaram sua infância: o umbuzeiro, que ele descreve com muita sutileza pelo sabor delicioso do fruto, e o pereiro, onde mais tarde compôs uma canção intitulada “a florzinha do pereiro”.

Quando, ainda adolescente, apesar de receber muito apoio e compreensão da família, começou a sentir a sensação de inutilidade, a preocupar-se por não participar do meio social e não poder trabalhar. Segundo Zezinho, em seu livro “memórias” apenas quando começou a frequentar a escola de Teresa Rosado Simões, a compor hinos para os times de futebol, religiosos e políticos e ao ouvir as pessoas cantá-los, sentiu que poderia ser útil.

Apesar da limitação física causada pela falta da visão, nunca se deixou paralisar pelo medo, embora, o sentisse, não desistiu de ir em busca de novas experiências e descobrir outros horizontes. Assim, aos 28 anos, deixou para trás a pequena e pacata Vila de Patrocínio e mudou-se para Fortaleza em 1944, e com o apoio de Dr. Alencar Araripe ingressou no Instituto dos Cegos do Ceará, destacando-se como líder estudantil.   Ao chegar nas terras cearenses sentiu muitas dificuldades na fase de adaptação por não conseguir dominar o processo de escrita braille e ao perceber que seus colegas nas mesmas condições realizavam trabalhos manuais com desenvoltura. O que lhe confortava nessas horas eram as palavras do padre Arquimedes Bruno, que o animava dizendo que ele venceria pela inteligência.

A ânsia pelo saber e a busca pela independência econômica, fizeram-no partir para o Rio de Janeiro ingressando no Instituto Benjamim Constant. Embora tivesse muito medo de fracassar, foi bem recebido pelo diretor do instituto. Lá permaneceu dois anos consecutivos (1946 a 1948) na condição de estagiário, sempre se destacando pela sua capacidade de liderança e dotes literários. Chegou a fazer reinvindicações ao Ministério da Educação e cultura pelo serviço de prevenção à cegueira. Foi colaborador do Jornal Correio da Noite – RJ, sempre escrevendo artigos sobre questões pertinentes aos cegos e também crônicas sobre a cultura piauiense e cearense.  Retornou depois ao Rio de Janeiro no ano de 1951, atuando como auxiliar de ensino.

No Rio, umas das grandes frustações que teve na vida, foi não conseguir dominar com habilidade o processo de escrita braille, motivo pelo qual não foi aceito para o curso de Professor de Cegos no Instituto Benjamim Constant. Porém, fez outros cursos paraprofessor de cegos e amblíopes pela Fundação Getúlio Vargas, além de cursos sobre educação, higiene e de extensão rural.

No ano de 1948 a 1951 foi convidado para trabalhar na associação promotora de instrução e trabalho para cegos em São Paulo, como agente social, ao mesmo tempo continuava suas publicações na imprensa paulista.

No ano de 1956, participou com suas canções das semanas ruralistas realizadas no estado do Piauí e do Maranhão, organizadas pelo Ministério da Agricultura.  Nesta época compôs a música “turista amigo” enaltecendo nosso querido Piauí. Zezinho também se destacou com suas canções por abordar temas como o combate à seca do Nordeste, consciência ecológica e alimentação saudável.

Em 1958 foi nomeado assistente de delegado numa campanha de educação dos cegos do Nordeste. Em 1962, foi nomeado pelo diretor do Instituto Benjamim Constant para pesquisar sobre a conjuntura dos cegos do Nordeste. Foi colaborador da revista “A Voz de Santa Tereza”, Crato-CE, e   para o “Almanaque da Parnaíba” no Piauí, por um período de 20 anos.

De volta ao Ceará no ano de 1963, ficou à disposição da Universidade Federal do Ceará, atuando como professor do Instituto dos Cegos do Ceará até o ano de 1981. Por ser uma pessoa muito comunicativa, fez amizades com pessoas importantes da capital cearense, sempre recebendo muitos incentivos para publicar seus livros e artigos em jornais daquele estado. Com o apoio da editora Henriqueta Galeno publicou os livros “No Mundo do Folclore” (1979) e “Memórias” em 1983. O prof. Bezerra dedicou também parte do seu tempo a escrever poemas, canções e estudar sobre o folclore do Ceará e do Piauí. Em 1973 participou do V Congresso Nacional de Folclore em Fortaleza – CE, destacando-se com o artigo “Aspecto Folclórico da Quermesse de Partido”, o que lhe rendeu elogios do renomado folclorista brasileiro câmara cascudo.

Zezinho sempre demonstrou muito apreço e consideração pela sua família e amigos. Uma   prova de amizade, concretizou-se no ano de 1965 quando o senhor Alencar e dona Maria comemoraram bodas de ouro e ele fez uma linda homenagem ao casal.

Em seu retorno definitivo para Fortaleza, acolheu com generosidade em sua residência muitos jovens parentes que iam com o objetivo de estudar, entre eles podemos citar: Miguel Carlos Alencar, Vitalino Ranulfo Bezerra, Dr. José Hamilton Bezerra Lima, Dr. José de Alencar Bezerra (“Zezito”) e dr. Jorge Henrique de Alencar Carvalho.

Após sua aposentadoria, continuou a residir na capital cearense. Porém, com o intuito de fugir da agitação da cidade grande e ter uma vida mais tranquila, no ano de 1994, retornou a sua terra natal passando a conviver com familiares, amigos e parentes das velhas as novas gerações, compartilhando seus conhecimentos e suas vivências.

No dia 24 de setembro de 1995, veio a óbito em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, mas, sem dúvida, deixou um grande legado à família e a sociedade piononense: vontade de vencer e superar obstáculos, otimismo e alegria pela vida e valoração de suas tradições e da cultura regional.

 

PIO IX, 10 DE agosto de 2016.

Biografia por Maria Da Glória De Alencar Bezerra

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