
Autor: clubedapoesia
Cadeira 64: MARIA WILLIMA BARBOSA
Cadeira 63: JOSINALDO LOPES

Josinaldo Lopes

Membro da Academia Literária
Padrinho:
Josinaldo José Lopes Silva, nasceu na cidade de Floresta-PE no dia 07 de Novembro de 1998, filho de José Pergentino da Silva e Susana Inês de Sá Lopes. Funcionário do setor privado e apaixonado pelas belezas do Sertão. Desde criança amava declamar as poesias dos folhetos de cordel que encontrava, mas, foi na adolescência que começou a escrever seus primeiros trabalhos como poeta, alguns deles são : A força do meu Nordeste, a gente nasce sem pedir também morre sem querer, o Brasil não vai para frente com essa corrupção. Josinaldo Lopes procura descrever em versos os encantos e sentimentos de toda a sua Terra.
Patrono

Zé de Mariano
O poeta José Anchieta de Lima (Zé de Mariano). Nasceu na cidade de Tabira- PE no dia 10 de Abril de 1953, filho de Mariano Pereira de Lima. Sua vida poética teve início em 1980, assistindo aos cantadores de viola nas cantorias
De pé de parede e nos festivais de violeiros de sua terra natal e de outras cidades do Pajeú. Visão Sertaneja foi o seu primeiro e único livro, editado pelo Desafio Art e Gráfica, Serra Talhada- PE.
O poeta Zé de Mariano deixou a poesia de luto no dia 02 de janeiro de 2014. Foi num evento promovido por essa instituição que Zé fez sua última apresentação.
Cadeira 62: MARCIANO MEDEIROS
Marciano Medeiros
Membro da Academia Literária
Padrinho:
O escritor, poeta e cordelista, é autodidata e se dedica ao cordel, estudando as obras clássicas. É palestrante, oficineiro e declamador. Nasceu aos 18 de setembro de 1973, em Santo Antônio (RN). É filho de João Batista de Medeiros e Francisca Viana Salustino Medeiros, ambos de Serra de São Bento (RN).
Conhecido por “poeta das biografias”, devido a quantidade de perfis que redigiu, desde Clara Camarão até Luís da Câmara Cascudo, entre outros nomes. Publicou o romance A princesa e o camponês, esgotando a primeira edição. É membro fundador da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel, da Academia de Letras e Artes do Agreste Potiguar, integrante da Academia Literária Virtual do Clube da Poesia Nordestina e também é sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. O poeta tem conquistado importantes premiações no cordel e na trova. Em 2018 foi campeão do Festival Vamos Fazer Poesia. Atualmente reside em Parnamirim (RN).
Principais obras do cordelista:
Vida e morte de Lampião
Família, sonhos e lutas de Valdetário Carneiro
Ivanildo Vila Nova o menestrel do repente
Câmara Cascudo arquiteto da alma nacional
A trajetória poética de Ronaldo Cunha Lima
O poeta do baobá
Zila Mamede do sertão ao mar dos sonhos
Clara Camarão a primeira guerreira do Brasil
Rita de Cássia Soares paraibana exemplar
Teotônio Vilela um romeiro da liberdade
Divaldo Pereira Franco um mensageiro da paz
José Wilker do Teatro a TV Globo
Joaquim Pinheiro o jornalista matuto
Os perigos do namoro pelas redes sociais
Carlos Augusto Diógenes, um sertanejo marcante
Capitão Rodolfo Bento entre a honra e a vingança
Noilde Ramalho uma educadora potiguar
O legado de Sivuca na cultura brasileira
A princesa e o camponês
Gonçalo Ferreira, um cordelista integral
Padre Miguelinho, um potiguar na revolução dos padres
Patrono

Luiz Felipe Neris
FOI LUIZ FELIPE NERIS,
UM POETA SERTANEJO
Autor: Marciano Medeiros
Quero fazer homenagem
Com muita sabedoria,
Relembrando meu patrono
Numa nobre Academia,
Onde fazemos cordel
Tendo métrica e poesia.
Luiz Gonzaga Felipe
Tem Neris, por sobrenome.
Desperta tanta saudade
Que nem o tempo consome.
Na cultura potiguar,
Pretendo honrar o seu nome.
Natural de Pau dos Ferros,
Uma bonita cidade!
Neste solo sertanejo
Teve lições de humildade,
Perdendo a mãe com três anos
Experimentou orfandade.
Luiz Gonzaga nasceu
No ano de trinta e nove,
Quando a vinte um de julho
Sua chegada comove.
E a jornada do menino,
O nosso Deus quem promove.
Filho de Pedro Felipe
Bom cidadão nordestino,
O nome de sua mãe:
Senhora Eliza Rufino,
Logo o casal deu ao filho
Um valoroso destino.
Desde sua meninice
Mostrava ter alma rica,
Dando muitas alegrias
A sua tia Chichica,
Que lhe criou com bondade
Conforme a pesquisa indica.
Tinha bastante humildade
Estudando com rigor.
Na escola Joaquim Correia
Foi muito batalhador,
Dotado de inteligência
Pôde mostrar seu valor.
Ao completar a idade
Na Marinha se alistou
Aprendiz de marinheiro,
Já de Natal viajou;
E depois lá em Recife
A formação terminou.
Na função de escrevente
Luiz foi muito capaz,
Andou no Porta Aviões
Chamado “Minas Gerais”,
Visitou tranquilamente
Outras nações mundiais.
Por dezenove países
Luiz pôde viajar.
Nesta carreira tão bela
Teve que se aposentar,
Voltando pra seu estado
Na capital quis morar.
No ano mil novecentos:
Chegando sessenta e um,
Luiz Gonzaga casou
Tendo alegria incomum.
Foi feliz nesta união,
Sem impedimento algum.
Dona Maria de Lima
Foi sua esposa querida
Que dedicou à família
A seiva de sua vida,
Sendo uma mãe dedicada:
Séria, meiga e decidida.
O casal gerou Felipe,
Aqui dizer me compete.
Em seguida nasceu outra
Que é Maria Goretti.
Também cito Paulo e Mônica,
Sem que a lista complete.
Veio em seguida, Marcello
O penúltimo descendente.
Nasceu ainda Verônica,
Outra moça inteligente.
E o casal seguiu na vida,
Sua jornada inclemente.
Luiz Felipe ocupou,
Muitas funções importantes.
Depois de aposentado
Trabalhou com governantes,
Deixando por onde esteve
Lembranças muito marcantes.
Quando José Agripino
Foi prefeito da Natal,
Luiz exerceu um cargo
Na Promoção Social,
Executando trabalho
Bonito na capital.
Homem de muita cultura
Gostava de cantoria,
Escutando os repentistas
Com sublime melodia,
Improvisando os assuntos
Repletos de poesia.
No “Instituto Ary Parreiras”
Teve participação,
Fazendo parte do grupo
Que estava na direção,
Também na Rádio Nordeste
Deixou colaboração.
Foi poeta talentoso
Rimando sem embaraço,
Profundo historiador
Que conhecia o cangaço;
E a vida de Virgolino,
Um bandoleiro de aço.
Gerou mais de vinte obras,
Todas elas publicadas.
Algumas em nosso tempo
Permanecem divulgadas.
Nas poesias que fez
Deixou metáforas plantadas.
Fundação José Augusto,
Foi bom local de trabalho.
Ali seu verbo fecundo,
Brotou igualmente orvalho.
Sempre escreveu com vigor
Sem produzir nada falho.
Dia treze de novembro
Em dois mil e oito o ano,
Luiz Felipe partiu
Para viver noutro plano.
Aqui deixou seu trabalho
Este escritor soberano.
O nome deste poeta
Foi ligado ao meu destino.
Sinto alegria em falar
Neste nobre nordestino
Que “viajou” na cultura,
Igualmente a peregrino.
Relembrei deste patrono
Num poético relampejo.
Digo agora ao terminar
Conforme tive o desejo:
Foi Luiz Felipe Neris,
Um poeta sertanejo.
Cadeira 61: CARLOS BONFIM
Cadeira 60: ROSANE VILARONGA
Cadeira 59: BIANCA MORELES
Bianca Moreles

Membro da Academia Literária
Padrinho:
Bianca Moreles Barros Cunha, Santanense de nascimento, Angicana de coração e moradia, poetisa, artista plástica e muito mais, gosta muito de animais, principalmente os felinos, tem o ensino médio e a sabedoria da roça.
Patrono
Patativa do Assaré
Antônio Gonçalves da Silva, filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, nasceu no dia 5 de março de 1909, sendo agricultor aos 20 anos foi levado por um parente para o Pará onde foi apresentado ao escritor José Carvalho, passando lá 5 meses onde só fazia cantar com os cantadores de viola, voltando ao Ceará continuou sua vida na agricultura, cantando seus poemas quando era convidado.
Patativa do Assaré (1909-2002) foi um poeta e repentista brasileiro, um dos principais representantes da arte popular nordestina do século XX. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão.
Projetou-se nacionalmente com o poema “Triste Partida” em 1964, musicado e gravado por Luiz Gonzaga. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.
Infância e Adolescência
Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva) nasceu no sítio Serra de Santana, pequena propriedade rural no município de Assaré no Sul do Ceará. Foi o segundo dos cinco filhos dos agricultores Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva.
Com seis anos, perdeu a visão do olho direito em consequência do sarampo. Órfão de pai aos oito anos de idade teve que trabalhar no cultivo da terra, ao lado do irmão mais velho, para sustentar a família.
Com a idade de 12 anos, Patativa do Assaré frequentou uma escola e durante quatro meses aprendeu a ler e se apaixonou pela poesia. Com 13 anos começou a fazer pequenos versos. Com 16 anos comprou uma viola e logo começou a fazer repentes com os motes que lhe eram apresentados.
O Apelido de Patativa do Assaré
Descoberto pelo jornalista cearense José Carvalho de Brito, Patativa publicou seus textos no jornal “Correio do Ceará”. O apelido de Patativa surgiu porque suas poesias eram comparadas com a beleza do canto dessa ave nativa da Chapada do Araripe.
Com vinte anos, Patativa do Assaré começou a viajar por várias cidades do Nordeste e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe. Viajou para o Pará em companhia de um parente, José Alexandre Montoril, que lá morava.
Patativa passou cinco meses cantando ao som da viola em companhia dos cantadores locais. Nessa época, incorporou o Assaré ao seu nome. Patativa do Assaré foi casado com D. Belinha e teve nove filhos.
Primeiro Livro de Poesias
Entre 1930 e 1955, Patativa permaneceu na Serra de Santana, época em que compôs a maior parte de sua poesia. Nessa época, passou a declamar seus poemas na Rádio Araripe, quando foi ouvido pelo filólogo, José Arraes, que o ajudou na publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina” (1956), no qual reuniu vários poemas.
Triste Partida
Mesmo com um linguajar rude falado pelo sertanejo, crivado de erros e mutilações, a poesia de Patativa do Assaré teve projeção por todo o Brasil com a gravação de “Triste Partida” (1964), cantada por Luiz Gonzaga:
Setembro passou
Oitubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz. (…)
A poesia de Patativa do Assaré traz uma visão crítica da dura realidade social do povo sertanejo o que lhe valeu o título de “Poeta Social”. Um exemplo é o poema “Brasi de Cima e Brasi de Baixo:
Meu compadre Zé Fulô,
Meu amigo e companheiro,
Faz quage um ano que eu tou
Neste Rio de Janeiro;
Eu saí do Cariri
Maginando que isto aqui
Era uma terra de sorte,
Mas fique sabendo tu
Que a miséra aqui no Su
É esta mesma do Norte.Tudo o que procuro acho,
Eu pude vê neste crima,
Que tem o Brasi de Baxo
E tem tem o Brasi de Cima.
Brasi de Baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
O de Cima tem cartaz,
Um do ôtro é bem deferente;
Brasi de Cima é pra frente,
Brasi de Baxo é pra trás. (…)
Mesmo longe dos grandes centro, Patativa estava sempre atento com os fatos políticos do país, a política também foi tema de sua obra. Durante o regime militar, ele criticou os militares e chegou a ser perseguido. Participou da campanha das Diretas Já e, em 1984 publicou o poema “Inleição Direta 84“.
Patativa do Assaré publicou inúmeros folhetos de cordel, viu seus poemas serem publicados em jornais e revista. Suas poesias foram reunidas em diversos livros, entre eles: “Cantos da Patativa” (1966), “Canta lá Que Eu Canto Cá” (1978), “Aqui Tem Coisa” (1994). Com a produção do cantor Fagner, ele gravou o LP “Poemas e Canções” (1979). Em 1981 lançou o LP “A Terra é Naturá“.
Últimos Anos
Ao completar 85 anos, Patativa do Assaré foi homenageado com o LP “Patativa do Assaré – 85 Anos de Poesia” (1994), com participação das duplas de repentistas, Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio e Otacílio Batista e Oliveira de Panelas.
Os livros de Patativa do Assaré foram traduzidos em diversos idiomas e seus poemas tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.
Patativa do Assaré, sem audição e totalmente cego desde o final dos anos 90, faleceu em consequência de falência múltipla dos órgãos, em sua casa em Assaré, Ceará, no dia 8 de julho de 2002.
Poesias de Patativa do Assaré
- A Festa da Natureza
- ABC do Nordeste Flagelado
- Aos Poetas Clássicos
- A Terra dos Posseiros de Deus
- A Terra é Naturá
- A Triste Partida
- Cabra da Peste
- Caboclo Roceiro
- Cante Lá, Que Eu Canto Cá
- Casinha de Palha
- Dois Quadros
- Eu Quero
- Flores Murchas
- Inspiração Nordestina
- Lamento Nordestino
- Linguagem dos Óio
- Mãe Preta
- Nordestino Sim, Nordestino Não
- O Burro
- O Peixe
- O Poeta da Roça
- O Sabiá e o Gavião
- O Vaqueiro
- Triste Partida
- Vaca Estrela e Boi Fubá
Cadeira 58: IZAÍAS MOURA
Izaías Moura
Membro da Academia Literária
Padrinho:
Izaias Francisco de Moura, poeta cordelista é natural de Custódia (PE), sendo filho de Francisco Sebastião de Moura e Maria de Lourdes A. de Moura. Gosta de literatura de cordel desde menino e hoje tem alguns folhetos publicados. Assistiu grandes cantorias, inclusive do poeta Diniz Vitorino, de quem se tornou um perene admirador. É casado com Regina Moura e gerou dois filhos com a mesma. Escolheu o poeta João Furiba para ser seu patrono, por se tratar de outra grande referência na cultura nordestina. Descendente de quilombolas e indígenas, coloca as marcas dessa ancestralidade em sua poesia, de forma lírica e sentimental. Izaias Moura também escreve e glosa motes, com muita inspiração.
Patrono
João Furiba
Nasceu em Taquaritinga do Norte, Pernambuco, mas viveu boa parte de sua vida em Sumé, no Cariri da Paraíba. Há algum tempo ele vivia na cidade de Triunfo, no Sertão da Paraíba, com a sua terceira esposa.
O artista era considerado uma lenda da cantoria nordestina e estava incluído entre os maiores repentistas de todos os tempos. Gravou vários discos e publicou o livro Furiba: falando a Verdade.
Faleceu aos cem anos de idade em 2019.




Alexandra Lacerda