Cadeira 33: TONY ANNES

Tony Annes

 

 

Membro da Academia Literária
Padrinho:

 

Antonio Carlos Xavier Annes, natural de Recife PE, com raízes familiares fincadas no sertão do Pajeú na cidade de Tabira PE. Poeta, Compositor e Advogado. Membro da Academia Literária Clube da Poesia Nordestina. Incentivador e admirador da cultura popular do Nordeste.

 

Patrono:

Antônio Pereira

(O poeta da saudade)

 

Conhecido como o poeta da saudade, Antônio Pereira, nasceu a 13 de novembro de 1891, no sítio Jatobá, hoje município de Itapetim, onde viveu até a morte, a 07 de novembro de 1982. Violeiro e poeta popular, ele mal assinava o nome e nunca fez da arte a sua profissão, tendo sobrevivido como modesto agricultor.

Antônio Pereira participava de jornadas de improviso apenas com os amigos e os seus versos sobreviveram ao tempo porque eram repassados verbalmente pelos seus admiradores que os decoravam. Em 1980, com a ajuda de amigos, publicou seu único folheto, “Minhas Saudades”, uma coletânea de sua poesia.

 

Alguns versos do poeta:

Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.

 

Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.

 

Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas adoece.

 

Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ninguém.

 

Saudade é a borboleta,
Que não conhece a idade.
Voando, vai lá, vem cá,
Misteriosa, à vontade.
Soltando pêlo das asas,
Cegando a humanidade.

 

Quem quiser plantar saudade
Primeiro escalde a semente.
Depois plante em lugar seco,
Onde bata o sol mais quente.
Pois, se plantar no molhado,
Quando nascer mata gente.

 

Fonte: forrobodologia

           Besta fubana

 

Cadeira 32: ROSA CHAVES

Rosa Chaves

 

 

Membro da Academia Literária
Padrinho: Luiz Gonzaga Maia

 

 

Rosa Maria Chaves Pinto Nunes, nasceu na cidade de Apodi-RN no dia 17 de Abril de 1970. Filha do agricultor e pecuarista Francisco Sales Pinto (in memoriam) e da dona de casa Rosa Cândida Chaves Pinto. Casada com Francisco Nunes Pereira e mãe de Murillo Pinto Nunes. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN no ano de 1995 e Pós Graduada em Gestão e Coordenação Escolar pela Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ no ano de 2011. Professora da Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte – SEEC/RN desde o ano de 1990. Exerce a função de Professora Regente de Biblioteca na E E Zenilda Gama em ApodiRN. Participou dos cordéis coletivos: Vidas Negras Importam (El Gorrión); 100 Anos de Paulo Freire (Ana Reis e Bernadete Couto); Festival Virtual Vamos Fazer Poesia em 2020 e Nosso Brasil Precisava de uma Grande Academia (Iranildo Marques). E também das coletâneas I, II e III da ALESPE, Sertão e Poesia em 2021, 2022 e 2023 (organizadas pelo poeta Amaurilio Sousa). É membro da Academia Virtual Clube da Poesia Nordestina e participou das edições: VIII, IX e X do Festival Vamos Fazer Poesia em 2021, 2022 e 2023, organizado pelo poeta Iranildo Marques. Participa do grupo virtual Poderosas do Cordel.

 

Patrona:

Zila Mamede

 

ZILA MAMEDE, nasceu em Nova Palmeira, na Paraíba, em 1928. É expressão máxima da poesia potiguar do século XX. Foi lida e admirada por grandes poetas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto. Faleceu em 1985, enquanto nadava na Praia do Meio, costa litorânea, próxima ao Forte dos Reis Magos, em Natal, Rio Grande do Norte.
ROSA DE PEDRA (1953):
CANÇÃO DA ROSA DE PEDRA
Essa, a rosa da promessa
da noite do nosso amor,
murcha rosa indiferente,
sem alma, escassa de olor?
Por que essa rosa de pedra,
o meu presente nupcial?
– Pantanosa flor de lama
gerada em brisas de sal.
O riso da minha infância,
gritam-no abismos de sangue
onde boia impura, incauta,
flor de pedra, flor de mangue.
A vã promessa incumprida
na noite do nosso amor
repousa em praias de sombra
navega em mares de dor.
SALINAS (1958):
ELEGIA
Não retornei aos caminhos
que me trouxeram do mar.
Sinto-me brancos desertos
onde as dunas me abrasando
tarjam meus olhos de sal
dum pranto nunca chorado,
dum terror que nunca vi.
Vivo hoje areias ardentes
sonhando praias perdidas
com levianos marujos
brincando de se afogar,
com rochedos e enseadas
sentindo afagos do mar.
Tudo perdi no retorno,
tudo ficou lá no mar:
arrancaram-me das ondas
onde nasci a vagar,
desmancharam meus caminhos
– os inventados no mar:
depois, secaram meus braços
para eu não mais velejar.
Meus pensamentos de espumas,
meus peixes e meu luar,
de tudo fui despojada
(até das fúrias do mar),
porque já não sou areias,
areias soltas de mar.
Transformaram-me em desertos,
ouço meus dedos gritando
vejo-me rouca de sede
das leves águas do mar.
Nem descubro mais caminhos,
já nem sei também remar:
morreram meus marinheiros,
minha alma, deixei no mar.
Pudessem meus olhos vagos
ser ostras, rochas, luar,
ficariam como as algas
morando sempre no mar.
Que amargura em ser desertos!
Meu rosto a queimar, queimar,
meus olhos se desmanchando
– roubados foram do mar.
No infinito me consumo:
acaba-se o pensamento.
No navegante que fui
sinto a vida se calar.
Meus antigos horizontes,
navios meus destroçados,
meus mares de navegar,
levai-me desses desertos,
deitai-me nas ondas mansas,
plantai meu corpo no mar.
Lá, viverei como as brisas.
Lá, serei pura como o ar.
Nunca serei nessas terras,
que só existo no mar.
CANÇÃO DO AFOGADO
Nos olhos de cera
dois pingos de vida,
nas marcas de vida
a noite pisou.
A face tranquila
bordada de sombras
– são restos de estrelas
que o céu apagou.
Os dedos lilases
não pedem mais sol;
e os lábios desfeitos
perderam seus gestos,
calaram seus sonhos
que a morte levou.
Cabelos de musgos
lavados de espumas
caminha o afogado
que o mar conquistou.
RETRATO
Me lembrava da menina
escavacando o chão agreste,
me lembrava do menino
carregando melancias.
Em que terras desembocam
esses talos de crianças
mais finos que as maravalhas,
mais fortes que a ventania?
Dois pés descobriram casa,
multiplicaram-se em hastes
– são cabeleiras de trigo
dos moinhos de Van-Gogh.
A sombra dos dois irmãos
repartiu-se entre os veleiros:
seu tronco desarvorado
virou estrelas no mar.
O ARADO (1959):
TRIGAL
Por entre noite e noite, essas veredas
para os trigais maduros me acenando.
Despertam-se campinas, precipitam-se
as invenções da luz na ventania.
Por entre lua e lua, essa querência
– um resmungar de espigas conscientes
do retorno às searas, que ceifeiros
já descerraram olhos invernais.
Planície enlourecendo se oferece
e um mar desenha nos pendões crescentes.
Ceifeiros – seus marujos sem navios –
pescam sementes, riscam no amarelo
a saudade dos peixes inascidos
nesse (não mar das águas) mar de pão.
MILHARAIS
Nos milharais plantados (minha infância),
recém-nascidas chuvas pelos rios
que rebentavam adubando várzeas
onde meus pés-meninos se afundavam
no cheiro fofo do paul novinho.
Terra multipartida, covas conchas,
das mãos do meu avô descendo o grão.
Pela manhã íamos ver as roças
à superfície frutos devolvendo
– folhinhas enroladas, verde calmo
se desfiando ao sol, em sol, de sol.
Quando escorriam outros aguaceiros
os dedinhos do milho iam subindo
em vertical, depois abrindo os braços
e já mais tarde o milharal surgia
os pendões leques leves abanando
o triunfal aceno da chegada.
E vinha logo a quebra das espigas,
eu chorava de pena, elas dobravam-se
por sobre o caule, tesas deslizando
no chão, nos aventais apanhadores,
sua palha entreaberta – riso triste
de quem, nascido, vê-se morto infante,
pois sendo espigas tenras, de repente
logo viravam massa, logo, pão.
Eu as tomava com temor doçura,
trançava seus cabelos, embalava-as:
eram espigas não, eram bonecas
que me aqueciam, eu as maternava
lavando-as, penteando-as, libertando-as
de gumes de moinhos e de fomes
dos animais domésticos, ancinhos,
fogueiras de São João. Pelos terreiros
procuro em vão os milharais vermelhos
de vermelhas papoulas adornando
as vaidosas tranças das espigas –
bonecas brancas, minha meninice,
meu avô habitando agora um campo
onde ele, em vez do milho, é uma semente,
meu avô, minha avó, os milharais,
não tendo mais infância, tenho-a mais.
EXERCÍCIO DA PALAVRA (1975):
MÃE
A mulher fia o filho
No silêncio do corpo
inaugura-se: mãe.
O ventre: curvatura de sol
levantando-se
em mansidão de horizonte.
De si própria se esquece:
tecelã da rosa que já aflora
em crescimento lento
no seu sangue.
BALADINHA
DA VARANDA DO APARTAMENTO
DE ODILON RIBEIRO COUTINHO,
NUMA FESTA
ONDE PIXINGUINHA REINAVA
As cores e tua fala
na varanda solidão
deixei que a noite morrente
repousasse em tua mão
Um vale remanhecido
põe nevoeiro em teus cabelos
nas cores a madrugada
explicando-me navegos
Subida montanha, linhas
nas cores de tua face:
letra morta despedida
dos azuis que abandonei
De dentro dos teus acordes
um cavalo disparou:
por sobre os vãos dos teus olhos
rosamanhã me levou.
CORPO A CORPO (1978):
ONDE
Entre a ânsia
  e a distância
  onde me ocultar?
Entre o medo
  e o multiapego
  onde me atirar?
Entre a querência
  e a clarausência
  onde me morrer?
Entre a razão
  e tal paixão
  onde me cumprir?
A HERANÇA (1984):
HERMELINDA NO ESPELHO
O rosto exige unção de creme nutritivo
textura de loção hidratante
sedosidade de sabão adstringente
O rosto seleciona cores de potes,
formatos de tubos e de frascos
na concorrência das embalagens
que se oferecem em fiteiros e vitrines
– o chamariz harmônico e ofuscante
do gás neón, luz fria, candeeiros
Espelhos salientam abusivos olhos
pincéis acentuam a descritiva sensual dos lábios
dedos massageiam impiedosas geometrias
                        [de pescoços e colos
Sacralizados em banheiros e termas
multíplices cosméticos realimentam
as vibrações do rosto que exorciza o tempo.

Cadeira 30: ROSIL RODRIGUES

Rosil Rodrigues

 

 

Membro da Academia Literária
Padrinho: Iranildo Marques

 

 

ROSIL RODRIGUES da Costa, nasceu na cidade de CATURITÉ-PB, no dia 10 de novembro de 1965.
É filho de Severino Rodrigues da Costa e Helena Rodrigues da Costa.
Agricultor e pequeno pecuarista, é Poeta Popular e amante da cantoria e do repente nordestino.

 

Patrono

Vavá Machado

 

ADEMAR TELES DE CARVALHO, de nome artístico VAVÁ MACHADO, nascido aos 13 de Junho de 1946 na cidade pernambucana de Lagoa do Ouro, cidade pequena com pouco mais de dez mil habitantes. Vavá Machado foi criado pela família Machado da cidade de Major Izidoro em Alagoas. Quando jovem serviu ao Exército no estado de Pernambuco, ao término de suas obrigações militares sentiu a vocação para vaqueiro, onde encontrou um terreno fértil e promissor, a partir daí foi que passou a assinar Vavá Machado, talvez uma alusão à família que o criou. Possuidor de uma bela voz, trouxe ainda a vocação para poesia, constituindo-se um poeta vaqueiro, afinado por natureza. Encontrou na pessoa de Marcolino que era de Garanhuns seu primeiro parceiro para uma dupla que ficou conhecida no nordeste inteiro, Vavá Machado e Marcolino foi quem primeiro gravou toada, tornando-se os pioneiros no nordeste nesse ramo. Depois de um certo tempo a dupla se separou, Vavá foi cantar com Zé de Almeida e gravou alguns discos, ainda fez dupla também com Léo Costa. Vavá Machado teve dois filhos do primeiro casamento. Mas infelizmente no dia 06 de Agosto de 2012, estando em Olho d’Água das Flores, sentindo-se mal foi levado ao hospital, mas não resistiu, vindo a falecer de infarto com 66 anos de idade. A família veio de sua cidade Lagoa do Ouro e o levou para ser sepultado em sua terra natal. Muitas homenagens lhe foram tributadas e a cidade parou para se despedir de seu mais ilustre filho, Vavá Machado. Enquanto existir o som de um chocalho dolente, um aboio saudoso, uma vaquejada, um vaqueiro correndo um boi no mato, a voz de Vavá Machado ecoará viva e latente nos corações dos nordestinos.

Cadeira 29: FRAN FARIAS

Fran Farias

 

 

Membro da Academia Literária
Madrinha: Lúcia Silva

 

 

Francilda da Silva Farias ( Fran Farias) Poetisa Cordelista! Nascida em 05/ 10/84, filha de Antônio Carlos de Moraes Farias, Francenilda Alves da Silva.
Cidade de origem, Grajaú- MA. Atualmente em Goiânia, promotora de vendas, cursei o ensino fundamental completo, magistério, secretariado, participei de alguns cordeis coletivos, e está previsto pra esse mês, meu primeiro livro solo, que tem como título: Poço de Poesia! Na adolescência, encontrei os romances que meu avô guardava, comecei a ler e me apaixonei.
Desde então, quis fazer parte desse mundo maravilhoso, o mundo da poesia, popular.

 

Patrono

Sebastião Dias

 

O poeta e repentista Sebastião Dias Filho, nasceu no município de Ouro Branco, localizado no Estado do Rio Grande do Norte no dia 13 de setembro de 1950.
Desde cedo, a partir da leitura de folhetos de cordel e da cantoria de viola, trabalhou com arte do improviso.
Sebastião Dias, faleceu aos 73 anos, em barbalha (CE) após sofrer um infarto durante uma cantoria.

Cadeira 27: CHARLES MELO

Charles Melo

 

 

Membro da Academia Literária
Padrinho:

 

 

Antônio Charles Melo Feijão, nasceu na cidade de Groaíras-CE, no dia 14 de janeiro de 1993 e cresceu num sertãozinho chamado Gangorra onde vive até os dias atuais. É escritor, poeta e cordelista brasileiro, graduado em Administração pela FLATED ( Faculdade Latino Americana de Educação), é membro da UBE ( União Brasileira de Escritores) e autor de um livro poético intitulado: “Veredas Sertanejas” e vários cordéis.

 

Patrono

Pedro Bandeira

Pedro Bandeira Pereira de Caldas é considerado o “príncipe dos poetas populares do Nordeste”. Filho de Tobias Pereira de Caldas e da poetisa Maria Bandeira de França. Nasceu em sítio Riacho da Boa Vista em 1938 no município de Piranhas Paraíba. Recebeu em 2018 o título de Tesouro Vivo da Cultura do Estado ( Secult). Faleceu aos 82 anos dia 24 de agosto de 2020.

Cadeira 26: CONCEIÇÃO OLIVEIRA – CECITA

Cecita

 

 

Membro da Academia Literária
Padrinho: Luiz Gonzaga Maia

 

 

Conceição Maria Oliveira de Almeida (Cecita), professora com duas licenciaturas, mestre em educação, artista plástica, letrista e poeta. Tem quatro publicações e outras três no prelo. Nos tempos da escola sua veia poética desabrochou e, já na faculdade, ganhou troféus nos festivais de poesia promovidos pela Universidade. É membra da Academia Literária Clube da Poesia Nordestina.
Contato: cecitaoliveira@hotmail.com – (88) 999047207 (88)3522.1330.

Patrono

 

Quintino Cunha